O bispo de Leiria-Fátima disse esta quarta-feira que a Igreja Católica está disponível para acolher, nas suas instalações, refugiados que cheguem a Portugal, lembrando a situação que ocorreu quando milhares de retornados saíram das antigas colónias.

“Penso que a Igreja estará aberta para isso e fará todo o esforço”, declarou António Marto, em Fátima, no distrito de Santarém, na conferência de imprensa da peregrinação dos migrantes ao santuário, que hoje se iniciou.

Na ocasião, o bispo lembrou o “tempo dos regressados de África”, em que se abriram “seminários, casas que acolheram refugiados durante muito tempo, até poderem sistematizar a sua vida”.

Também a diretora da Obra Católica Portuguesa de Migrações, Eugénia Quaresma, referiu que, “às vezes, há casas ligadas a congregações religiosas que precisam de um novo rumo”.

“Se tiverem esta capacidade de acolhimento, muito bem”, acrescentou Eugénia Quaresma, apontando a “importância de sensibilizar as comunidades cristãs, porque poderão estas casas precisar de voluntários”.


No final de julho, o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, disse que Portugal deverá acolher 1.400 refugiados, concentrados na Grécia e no sul de Itália.

“O valor que tem estado em cima da mesa e que tem nesta altura a nossa concordância é pouco mais de 1.400 [refugiados], mas, seja como for, o nosso objetivo é encerrar esta discussão de forma a resolver o problema", declarou o primeiro-ministro.


Antes, a 26 de junho, no final do Conselho Europeu em Bruxelas, Bélgica, o primeiro-ministro declarou que Portugal defendeu um ajustamento dos critérios que indicavam que o país deveria acolher 2.400 pessoas.