A magistrada Albertina Pedroso vai substituir o presidente do Instituto de Gestão Financeira e Equipamentos da Justiça (IGFEJ), exonerado na sequência das polémicas com o sistema informático Citius, disse à Lusa fonte do Ministério da Justiça.

Além de Rui Pereira, foi igualmente exonerado o vogal do conselho diretivo Carlos Brito, que será substituído no cargo por Joaquim Melo, que transita da Direção geral de administração da Justiça, onde exercia o cargo de vice-diretor geral, segundo a mesma fonte.

Albertina Gomes Pedroso, de 49 anos, abandona o Conselho Superior de Magistratura (CSM) - onde desempenhava as funções de chefe de gabinete de apoio ao vice-presidente e aos membros do órgão - para presidir ao conselho diretivo do IGFEJ com o Citius ainda a merecer críticas de agentes da Justiça.

A magistrada foi nomeada em julho de 2001 por António Costa, então ministro da Justiça, para superintender o Departamento Disciplinar e de Inspeção da Polícia Judiciária e foi igualmente assessora do Supremo Tribunal de Justiça (2003-2009).

Foi juíza formadora entre 1996 e 2001 e integrou os júris das provas orais de admissão ao Centro de Estudos Judiciários, em matéria cível, realizadas em 1999 e 2000.

A exoneração de Rui Pereira e Carlos Brito do IGFEJ surgiu na sequência do relatório da Inspeção Geral da Justiça a propósito do Citius, que concluiu pela necessidade de uma auditoria ao processo de adaptação do sistema informático ao novo mapa judiciário e mandou arquivar a alegada sonegação de informação apontada a um técnico do instituto que gere a plataforma.

Nas conclusões do inquérito disciplinar, a que a Lusa teve acesso, a Inspeção manda suspender o processo de inquérito ordenado pela ministra até à conclusão da auditoria informática recomendada.

Depois de conhecer a decisão da tutela, o ex-presidente do IGFEJ considerou que o despacho da sua exoneração tem intenções persecutórias e defendeu que a sua responsabilidade no 'crash' da plataforma é efabulada pela tutela.

Numa resposta enviada à agência Lusa, Rui Pereira sublinhou que o despacho da sua exoneração, assinado pelo secretário de Estado da Justiça, António Costa Moura, é "único em toda a Administração Pública portuguesa" e "uma peça com intentos claramente persecutórios".