Até que ponto o estatuto social conseguido durante a vida, pode influenciar a qualidade de vida dos idosos. O Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP) anunciou a sua participação num consórcio internacional de investigação que tem como principal objetivo estudar a relação entre a posição socioeconómica e o envelhecimento saudável.

Uma das linhas de investigação do projeto vai estudar possíveis efeitos da crise económica sobre as mudanças biológicas relacionadas com o envelhecimento da população em coortes (conjunto de pessoas) na Irlanda e em Portugal, através da identificação de marcadores biológicos de adversidade social.

Segundo o responsável pelo projeto em Portugal e presidente do ISPUP, Henrique Barros, “este estudo é possível porque no instituto vem-se desenvolvendo a recolha sistemática de material biológico ao longo do tempo, que permitiu a criação de um repositório único de informação essencial para desenhar novos caminhos na abordagem dos problemas de saúde”.

“Juntam-se assim a perícia epidemiológica, biológica e sociológica para permitir finalmente análises estatísticas de enorme sofisticação”, sublinhou.

Durante quatro anos vão ser investigadas as relações entre fatores socioeconómicos, como a educação, o rendimento ou o acesso a bens materiais, e os resultados em saúde relacionados com a idade, como o cancro, as doenças cardíacas, as deficiências cognitivas e a debilidade.

O LIFEPATH é um grande projeto europeu financiado pelo programa da União Europeia (UE) para a Investigação e Inovação - Horizonte 2020 (H2020).

O ISPUP é uma das 15 instituições, de oito países da Europa, mas também dos Estados Unidos e da Austrália, envolvidas neste projeto que beneficia de um financiamento de seis milhões de euros proveniente do H2020.

De acordo com o ISPUP, vários estudos têm produzido conhecimento que permitiu evidenciar que o estado de saúde ao longo da vida é fortemente influenciado pela riqueza e pelo estatuto social.

“A distribuição social de fatores de risco tradicionais, como o tipo de alimentação e o tabagismo, explica em parte essa associação. No entanto, outros fatores como o stresse psicossocial e a constituição genética podem ser importantes, mas os mecanismos envolvidos não são bem compreendidos”, refere à Lusa.