A Câmara de Lisboa assinou, esta segunda-feira, um protocolo de cedência de um espaço não habitacional à Plataforma de Apoio aos Refugiados (PAR) no Bairro do Rego, que vai servir de sede para os voluntários desta entidade.

“Nós quisemos, com este momento, transmitir um sinal político muito claro: é dever da Europa, é dever de Portugal e é nosso dever parar esta catástrofe humanitária que está hoje às portas da Europa”, disse o presidente da Câmara de Lisboa, Fernando Medina (PS), na cerimónia que decorreu nos Paços do Concelho e na qual foram também entregues as chaves do espaço do Bairro do Rego.


Para este responsável, “é essencial salvar vidas humanas e recuperar a dignidade destas pessoas”.
É também crucial “ajudá-los [aos refugiados], no limite das nossas possibilidades, à integração normal e à recuperação das suas vidas”, salientou Fernando Medina.

Ainda assim, recusou que o objetivo da Câmara de Lisboa seja “substituir-se” a alguma associação ou “assumir outras responsabilidades”, que não as próprias.

"O papel que assumimos neste processo é, em primeiro lugar, de voz política […], mas também um papel de apoio, em tudo aquilo que nós pudermos, para que a sociedade civil e as outras instituições estejam à altura de organizar as respostas”, vincou.


Rui Marques, diretor da PAR, afirmou que esta cedência “tem a maior importância”.

“É um espaço destinado ao voluntariado e é um espaço que se abre à participação cívica de todos aqueles, que são mais de cinco mil, que se têm vindo a inscrever como voluntários” na PAR, assinalou.


Rui Marques acrescentou que “tem sido notável, nos últimos dias, a forma como os cidadãos portugueses se têm mobilizado para dar o seu contributo”, reconhecendo que, ao mesmo, surgem pessoas que se opõem à possibilidade de Portugal acolher refugiados, “porventura por falta de informação”.
 

“Na verdade, estamos num momento crítico e num momento de definição de identidade e de que civilização queremos ser. Se perante um ISIS [Estado Islâmico] que mata, devemos ser uma Europa que deixa morrer ou uma Europa que salva?”, afirmou.


Na ocasião, Fernando Medina anunciou que no dia 28 deste mês haverá um concerto solidário, no teatro municipal São Luiz, cujas receitas revertem a favor da causa dos refugiados.

Esse concerto, cujo cartaz será conhecido nos próximos dias, será organizado pela Empresa de Gestão de Equipamentos e Animação Cultural (EGEAC), “respondendo à manifestação de muitos e muitos artistas que quiseram contribuir com a sua visibilidade pública”, indicou.

Sobre a problemática dos refugiados, o presidente do município admitiu, ainda, que este é “um “processo muito longo, que ainda está no seu início”.

“Hoje mesmo, realiza-se mais uma reunião, mais um conselho [europeu], mais uma das intermináveis reuniões a que a Europa nos foi habituando, de ministros da Justiça e da Administração Interna, para tentar fixar um contingente. Não é certo que essa reunião seja conclusiva, esperemos que o seja”, apontou.


Também o presidente da Câmara de Idanha-a-Nova, Armindo Jacinto, disse esta segunda-feira à agência Lusa que o executivo está disposto a receber refugiados, decisão que já foi comunicada ao Conselho Português para os Refugiados (CPR).

A Europa enfrenta a mais grave crise migratória desde a segunda guerra mundial, com mais de 430 mil pessoas a terem entrado no continente este ano, a maioria das quais procurando refúgio da guerra e repressão em países como a Síria.