O Instituto de Avaliação Educativa (IAVE) divulgou hoje que apenas 10% dos erros ortográficos cometidos pelos professores na prova de avaliação são «decorrentes do incumprimento do acordo ortográfico», percentagem que considera «residual e sem expressividade na totalidade de ocorrências».

Em resposta às recentes notícias que apontavam para que muitos dos erros ortográficos dados pelos professores poderiam estar relacionados com o desconhecimento das regras do novo acordo ortográfico ou uma intenção deliberada de o ignorar nas respostas da Prova de Avaliação de Capacidades e Conhecimentos (PACC), o IAVE «procedeu a um estudo detalhado dos resultados correspondentes ao item de resposta extensa orientada, a partir de uma amostra significativa dos textos cujas classificações apresentavam descontos por erros ortográficos».

«Dessa análise pode-se concluir que 90% dos erros estão relacionados com os seguintes aspetos da ortografia: uso incorreto da acentuação (cerca de metade do valor total), troca de vogais, troca de consoantes ou uso incorreto de consoantes, aplicação incorreta do plural e registo incorreto de formas e de conjugações verbais», lê-se num comunicado do instituto divulgado hoje.

O mesmo documento sublinha que apenas 10% dos erros decorrem da não aplicação do novo acordo ortográfico, «não obstante os candidatos terem tido acesso à informação-prova onde era clara a natureza obrigatória do respeito pelo acordo em vigor».

«O IAVE considera, a partir da comparação com os restantes erros identificados, nomeadamente com os de acentuação, que o valor obtido representa uma percentagem residual e sem expressividade na totalidade das ocorrências de erros ortográficos registados», defende o instituto ao qual coube coordenar a aplicação da PACC.

O movimento de professores Boicote&Cerco, na base de muitos dos protestos registados no dia da prova, a Federação Nacional de Professores (Fenprof) e a Associação Nacional de Professores Contratados foram alguns dos organismos e associações que questionaram o peso do novo acordo ortográfico no total de erros registados nas correções.

«Que moralidade tem o MEC para falar em erros, se a própria prova tinha pelo menos dois erros graves?», questionou o movimento Boicote&Cerco, em comunicado, na quarta-feira.

De acordo com o IAVE, num total de 10.220 provas validadas, e especificamente na parte do exame correspondente à escrita de um pequeno texto, 62,8% por cento das respostas dos candidatos acusaram um ou mais erros ortográficos, 66,6% um ou mais erros de pontuação e 52,9% um ou mais erros de sintaxe.

A prova, para a qual se inscreveram 13.551 professores, foi realizada, em dois momentos, a 18 de dezembro do ano passado e a 22 de julho último, em 206 escolas, dentro e fora do país, adianta o IAVE.

O exame, este ano apenas com componente comum, visou, nomeadamente, avaliar a capacidade de raciocínio lógico e crítico, bem como a capacidade de comunicação correta em língua portuguesa.

A prova, cuja realização foi marcada por protestos e uma greve de professores vigilantes do quadro, a 18 de dezembro, é contestada pela Fenprof, maior estrutura sindical, afeta à CGTP, que a considera uma humilhação para os docentes.