Faça chuva ou faça Sol, a D. Rosa está lá, à beira da Ria, a vender bolinhos de gema, ovos moles e pastéis de Tentúgal. Quando chega o verão, refresca a vida de quem passa, acrescentando a fruta fresca à banca que todos os dias monta junto às pontes.
 
«Nasci em Aveiro, e moro aqui bem perto, na Travessa Tenente Resende. Já vendo na rua há uns 43 anos. Isto é a minha vida», resume Rosa ao projeto «Humans of Aveiro».
 
Rosa foi um dos primeiros rostos retratados pelo fotógrafo Bernardo Conde para o projeto que criou, no início do mês, no Facebook. Bernardo inspirou-se numa iniciativa semelhante, criada em Nova Iorque, e propõe-se contar a História de Aveiro através das pessoas que todos os dias passam nas ruas da cidade.
 

«A página do Facebook “Humans of New York” impressionou-me pelo tão simples e fácil que é dar valor à vida de cidadãos anónimos».

«Este projeto surge para lembrar que o mais importante no mundo são as pessoas. (…) É um projeto de valorização das pessoas que passam pelas ruas, habitam ou trabalham em Aveiro», conta Bernardo Conde à TVI24.

 
Com as fotografias que regularmente publica no Facebook, este engenheiro ambiental «apaixonado por viagens, fotografia e pessoas», quer também «levantar a moral» daqueles que vivem uma «situação de vida mais complicada». Quer ainda que quem vive em Aveiro e quem por lá passa não se esqueça dos «negócios de comércio tradicional» que caracterizam a cidade.
 
 
Bernardo já tem carimbos no passaporte de países como a Islândia, Marrocos, Itália ou a França provençal. Tornou-se guia de viagens fotográficas. Já expôs o seu trabalho lá fora e já viu as suas fotografias serem premiadas. Mas não arreda pé da Aveiro que o viu nascer.
 

«Podemos ir a pé para quase todo o lado ou, em alternativa, de bicicleta, uma vez que a cidade é plana. Temos o mar a menos de 10 minutos de carro, a ria e os seus canais a harmonizarem a zona central da cidade. Temos montanhas e campos a menos de uma hora», elogia.

 
O fotógrafo tem grandes planos para o «Humans of Aveiro», assim tenha disponibilidade para se dedicar ao projeto: «Com o passar do tempo, esta página poderá dizer “Olá Mundo, nós somos os Humanos de Aveiro e vivemos assim, trabalhamos assim, sonhamos assim…”».
 
 
«Seria interessante, quando o projeto já tiver um número representativo de registos, tornar-se numa exposição ou publicação, cujos proveitos pudessem ser investidos ou doados a um projeto social da cidade», acrescenta Bernardo.
 
Para já, vai contando histórias e registando a História de Aveiro nas redes sociais.