O secretário de Estado Adjunto do ministro da Saúde afirmou esta terça-feira, em Coimbra, que o Ministério da Saúde quer reforçar o apoio ambulatório, residências e unidades de cuidados continuados diferenciadas para a saúde mental.

«Queremos mais residências a dar mais apoio para resolver o problema da institucionalização prolongada e uma maior prevenção e antecipação de problemas de saúde mental», defendeu Fernando Leal da Costa, à margem de uma visita ao serviço de Psiquiatria do Centro Hospital e Universitário de Coimbra (CHUC).

Segundo o secretário de Estado, é «absolutamente necessário» o desenvolvimento de unidades de cuidados continuados para «prosseguir o Programa de Saúde Mental», pretendendo um programa com «um caráter comunitário e sócio-terapêutico».

Apesar de admitir que «as verbas são sempre insuficientes», o secretário de Estado afirmou que o Ministério pretende dar «uma atenção redobrada à saúde mental nos próximos dois anos», tendo um acréscimo de verbas, não especificando quanto.

A reforma na saúde mental tem sofrido algumas críticas, tendo o psiquiatra Afonso de Albuquerque considerado, em 2013, que as atuais reformas na saúde mental têm como «efeito perverso final» o «aumento real» da discriminação dos doentes e «crescentes dificuldades» no tratamento dos doentes mais graves.

Em 2014, o Governo pretende também que o Programa de Saúde Mental consolide «os projetos piloto» de intervenção comunitária, numa ligação entre médicos especialistas e médicos de clínica geral nos centros de saúde.

Foi em torno desses mesmos projetos que foi assinado, entre a Administração Regional da Saúde do Centro, o Ministério da Saúde e o CHUC, um protocolo para uma formalização e reforço da psiquiatria comunitária.

Esse mesmo protocolo prevê um acompanhamento dos doentes, através de uma ligação entre médicos de clínica geral nos centros de saúde de 11 concelhos da região Centro e médicos especialistas, nomeadamente psiquiatras, do CHUC, explicou António Reis Marques, diretor do Serviço de Psiquiatria desse mesmo centro hospitalar.

O protocolo prevê «uma facilitação do acesso dos doentes aos cuidados de saúde mental», mantendo as pessoas «junto das suas famílias e dos seus locais de trabalho», de forma «a não serem doentes para sempre», disse.

A psiquiatria, segundo Reis Marques, «era uma especialidade médica escondida e longe dos hospitais», procurando, com este protocolo, um melhor acompanhamento dos doentes, a partir de uma deslocação dos médicos especialistas aos centros de saúde, quando necessária.

Desta forma, os doentes «não são estigmatizados nem isolados», permitindo um «apoio local».