A bactéria que matou em Gaia já matou em Coimbra também. 

“Já houve vítimas mortais desta bactéria” em Coimbra. “No mês de janeiro registámos três óbitos atribuíveis à infeção” com a bactéria. “Temos seis óbitos nos quais os doentes estavam colonizados, mas só em três destes podemos atribuir o desfecho fatal à infeção por Klebsiella. Um doente por sépsis e dois doentes por pneumonia associada aos cuidados de saúde relacionados com esta infeção”, confirmou os HUC, em conferência de imprensa esta quarta-feira. 

Há 21 casos identificados com a bactéria Klebsiella pneumoniae nos Hospitais da Universidade de Coimbra, oito deles infetados com a mesma batéria que matou no  Hospital de Gaia e que é multirresistente a antibióticos.

“Encontram-se internados 13 doentes com culturas positivas para este tipo de Klebsiella. Destes, oito estão ou estiveram sobre antibioterapia para os germines em causa. Quatro destes doentes estão internados na medicina intensiva não estão infetados, estando apenas colonizados” e "nove rastreios positivos", confirmaram os Hospitais da Universidade de Coimbra, na voz do médico José Pedro Figueiredo.

“Nenhum deles está internado com patologia relacionada com a Klebsiella. Apresentam outras patologias. Destes quatro doentes, um deles terá alta ainda hoje. Dois destes doentes têm um prognóstico clínico favorável e um destes doentes – politraumatizado – tem prognóstico reservado devido ao seu politraumatismo mas não devido à sua colonização com a Klebsiella”.


Não há surto de Klebsiella

“Não se trata de um surto, na definição técnica”, frisou o médico, referindo que “num hospital desta dimensão, este número de três mortes não tem qualquer significado estatístico”. 

Não se justifica o “alarmismo social, por enquanto”. Doentes colonizados e doentes infetados são diferentes, mas estes últimos são objeto de medidas de isolamento também, refere o hospital, embora não sejam doentes.

O centro hospitalar de Coimbra reconhece que esta é uma “situação dinâmica, havendo alterações que se registam aos dias”, recordando que “na sexta-feira tinham mais doentes colonizados do que temos hoje” e tranquilizando a população de que estão a ser tomadas todas as medidas de isolamento, monitorização e prevenção. O rastreio começou a ser feito em janeiro, segundo Maria João Faria, do grupo de coordenação local do programa de prevenção e controlo das infeções.