“O cancro do colo do útero é um cancro previsível. Sabemos de antemão qual é o fator que vai acabar por se desenvolver, que é a infeção pelo vírus HPV [vírus do papiloma humano]. Esta infeção está presente em quatro de cada cinco mulheres ao longo da sua vida”, explicou a clínica.

 

“Não quero com isto alarmar as mulheres, porque, a maior parte acaba por ter resistência ao vírus, o próprio organismo consegue defender-se e combate-lo. Mas algumas mulheres, por mecanismos que não são ainda de todo conhecidos, acabam por desenvolver cancro do colo do útero e isso pode demorar entre cinco a 20 anos. Portanto, a importância de fazer um rastreio é crucial. Hoje em dia, com os avanços da medicina, temos testes à nossa disposição altamente sensíveis e específicos para a deteção do HPV e é isso que queremos alertar”, argumentou.

“Como oncologista, recebo mulheres muitas vezes já em fase avançada da doença quando estamos a falar de um cancro que é altamente previsível e altamente mortal. Morre uma mulher por dia e isso é muito para este cancro”, insistiu.

 

“O HPV é responsável por 99% dos cancros do colo do útero. Se uma mulher tem HPV, a probabilidade de vir a ter cancro existe, pelo que a realização do rastreio, nomeadamente do teste molecular, é necessária para tratar atempadamente a infeção. E mesmo quem tomou a vacina tem de fazer o rastreio, já que convém ser dada antes do início da atividade sexual. O vírus do HPV tem muitos subtipos, sabemos quais são os mais frequentes que provocam cancro do colo do útero mas há outros que não são abrangidos pela vacina. O que se deve fazer é a vacina e o rastreio, que não é só o exame Papanicolau. A partir dos 30 é importante a realização de um teste mais específico, porque estamos a falar de uma doença silenciosa”, concluiu.