Portugal tem apenas quatro a cinco camas nos serviços de cuidados intensivos por cada cem mil habitantes. A média europeia situa-se nas 12. Portugal tem assim 450 camas nos serviços de cuidados intensivos. Devia ter 900, alerta Rui Moreno, presidente do colégio da subespecialidade de Medicina Intensiva da Ordem dos Médicos. Os números fazem manchete, este domingo, no «Diário de Notícias» (DN).

A falta de camas nos cuidados intensivos, cuja maioria das unidades tem uma lotação na ordem dos 90 por cento explica situações como a do doente do hospital das Caldas da Rainha, que acabou por morrer no de Abrantes.

E não faltam apenas camas. Há também falta de médicos e de enfermeiros. «Não me admiro quando há hospitais a dizer que fazem 10 telefonemas até conseguirem vaga» para um doente, diz Rui Moreno, que também é responsável pela Unidade de Cuidados Intensivos do Hospital de São José.

A falta de camas agrava-se com o envelhecimento da população e em alturas do ano como o inverno. «É natural que haja falta de camas, mas o cenário piora quando estamos numa altura de infeções respiratórias. É por isso que a lotação não deve passar os 80 por cento. Mas a maioria das unidades tem a lotação sempre acima dos 90 por cento», diz o bastonário da Ordem dos Médicos, José Manuel Silva.