O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos, Jaime Mendes, considera que os problemas no hospital Garcia de Orta se mantêm e que após a demissão de sete chefes de equipa de urgência só foram acrescentadas 16 camas.

«Resolvemos visitar o hospital Garcia de Orta para ver se depois da crise que houve, com as gripes, em que o ministro declarou que em cinco dias resolvia a situação, se tal tinha acontecido, mas nada foi resolvido.»

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Jaime Mendes realizou esta quinta-feira uma visita ao hospital Garcia de Orta, em Almada, acompanhado pelo presidente da Câmara de Almada, Joaquim Judas (PCP), e por elementos da comissão de utentes, tendo reunido com a administração do hospital.

«Esta situação não é culpa dos profissionais nem da administração do hospital, a responsabilidade é do ministério e da ARS-LVT, porque são eles que decidem. Apenas aumentaram mais 16 camas, o que é muito pouco, o resto está tudo na mesma.»


O presidente do Conselho Regional do Sul da Ordem dos Médicos referiu que é preciso contratar médicos, sem recorrer às empresas de prestação de serviço, algo que o hospital não está autorizado a fazer.

«A radiologia continua a não funcionar depois das 20 horas, o que é grave para os doentes. Existe também falta de anestesistas, pois nas urgências estão assegurados, mas existe falta a nível geral que leva a adiar cirurgias.»


Jaime Mendes afirmou ainda que no primeiro andar da urgência, que hoje estava com um tempo médio de espera de seis horas, estavam mais de 50 macas ocupadas à espera de um destino para os doentes.

«O serviço de urgência continua a dar uma imagem terceiro-mundista de macas que ali vão ficar 24 horas à espera, alguns de alta para casa outros para internamento nos serviços. Estavam mais de 50 macas à espera de destino no primeiro piso da urgência, quando deviam estar cerca de 28, mas é preciso dar rapidamente um destino a esses doentes.»


Sobre os responsáveis dos serviços demissionários no hospital, Jaime Mendes referiu que a informação que tem é que estes estão a trabalhar mas continuam demissionários.

«Agora vamos escrever ao ministro sobre a situação que encontrámos aqui.»