As comissões de utentes de saúde da Amadora e de Sintra reclamaram esta segunda-feira a contratação de médicos para ultrapassar a demora nas urgências do Hospital Fernando Fonseca e uma nova unidade pública em Sintra.

«Tempos de espera na ordem das 24 horas nas urgências, a que acresce a falta de camas para internamento, colocam em risco a vida dos utentes», criticam, em comunicado a que a Lusa teve acesso, as comissões de utentes de saúde dos concelhos de Amadora e Sintra.


A «iminente rutura dos serviços de urgência e o colapso do SO [serviço de observação]» deve-se «à falta de profissionais de saúde nesta unidade hospitalar e reflete o cenário» apontado há muito pelas comissões de utentes, que colocam em perigo a prestação de serviços no Hospital Fernando Fonseca (Amadora-Sintra), lê-se no documento.


Períodos críticos


Os representantes dos utentes alertaram que, em períodos de maior necessidade de cuidados de saúde, como o inverno e na época de Natal e Ano Novo, «a insuficiência de meios humanos e materiais no hospital revela-se muito gravosa para os utentes».

«Situação mais escandalosa ainda quando responsáveis da Administração Regional de Saúde assumem que os cuidados de saúde estão nas mãos de empresas de trabalho temporário e não de médicos, enfermeiros e auxiliares dos quadros», salienta-se no comunicado.


A «política do Governo e do Ministério da Saúde» de encerramento de centros de saúde e unidades de saúde familiar, em permanência ou apenas aos fins de semana e feriados, «agudiza a situação precária em que o hospital tem de responder aos cerca de 650 mil utentes dos dois concelhos», observam as comissões de utentes.

«O hospital de Amadora-Sintra abrange uma área de intervenção demasiado extensa, situação que acarreta consequências dramáticas ao nível da celeridade na prestação dos seus serviços, sendo constantes as situações de sobrelotação», nota o comunicado, acrescentando que «as perspetivas para 2015 são de maior agravamento» da situação.
 

«Grave atentado aos direitos das populações»


Perante o «grave atentado aos direitos das populações», as comissões de utentes dos dois concelhos abrangidos pelo Amadora-Sintra vão continuar a «defender um Serviço Nacional de Saúde universal e gratuito» e «a criação e melhoria dos centros de saúde e unidades de saúde familiar que garantam a prestação dos cuidados de saúde primária».

«O financiamento indispensável para que o Hospital Fernando Fonseca cumpra a missão para que foi criado, com mais profissionais ao serviço e a construção de um hospital público no concelho de Sintra, que permita descongestionar» esta unidade, são outras das exigências das comissões de utentes.
 

Inquérito aos tempos de espera instaurado


A Entidade Reguladora da Saúde (ERS) vai analisar a situação no Hospital Amadora-Sintra, que chegou a ter esperas de 20 horas na urgência, no âmbito de um inquérito sobre o acesso dos utentes que já tinha sido instaurado.

De acordo com este regulador, a ERS tem estado atenta à «temática da garantia do direito de acesso dos utentes aos serviços de urgência do Serviço Nacional de Saúde (SNS)» e, neste âmbito, instaurou um inquérito ao Hospital Fernando Fonseca, conhecido como Amadora-Sintra.

Neste hospital, os utentes chegaram a esperar cerca de 20 horas no serviço de urgência, na noite de 25 para 26 deste mês, devido à falta de médicos, por motivo de doença, e por um número elevado de doentes com patologias complicadas.

Esta questão será analisada pela ERS que já tinha instaurado um inquérito ao tema de acesso dos utentes aos serviços de urgência do SNS.

Esse inquérito encontra-se «em fase de análise e de realização de diligências instrutórias», adiantou a ERS.

O Hospital Amadora-Sintra recebeu, entretanto, «luz verde» da tutela para contratar dez médicos, pelas vias que conseguir.