O Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP) mostrou-se preocupado com o caso de Legionella no Hospital da Régua, salientando a falta de informações aos profissionais, de rastreios e a incerteza quanto ao futuro da unidade de saúde.

Alfredo Gomes, dirigente nacional do SEP, afirmou esta quinta-feira de amanhã, junto ao Hospital do Peso da Régua, que os nove enfermeiros que ali prestam serviços foram surpreendidos na quarta-feira, ao final da tarde, com a informação de que hoje seriam, conjuntamente com os pacientes, transferidos para o hospital de Chaves.

As duas unidades de saúde estão integradas no Centro Hospitalar de Trás-os-Montes e Alto Douro (CHTMAD).

“Mas ninguém informou sobre qual era o problema estrutural. Depois, mais tarde, mais preocupados ficámos porque se começou a falar sobre a presença de ‘legionella’ na água. Os doentes precisam de cuidados de higiene, precisam de utilizar a água e ninguém foi informado disto”, salientou o dirigente sindical.

 Além do mais, acrescentou, não foi desencadeada qualquer logística. 

“Os doentes estavam esta manhã exatamente como estavam na semana passada".

A doença do legionário, provocada pela bactéria ‘Legionella pneumophila', contrai-se por inalação de gotículas de vapor (aerossóis) de água contaminada de dimensões tão pequenas que transportam a bactéria para os pulmões, depositando-a nos alvéolos pulmonares.

“O senhor diretor-geral da Saúde veio hoje dizer que não há ninguém infetado, pois, em princípio não, esperamos que não, porque ninguém tem sintomatologia, mas não foi feito rastreio a ninguém. Acho que, no mínimo, as pessoas têm de, por uma questão preventiva, também fazer os rastreios”, sublinhou Alfredo Gomes.

O enfermeiro considerou que a medida preventiva de fechar o hospital “é correta”. “Se há presença da bactéria tem que se tratar. A questão que se coloca é a falta de informação para com os profissionais e nós não sabemos o que vai acontecer a seguir”, salientou.

Ainda hoje o sindicato vai enviar um ofício ao Ministério da Saúde e ao Conselho de Administração do CHTMAD a pedir mais esclarecimentos sobre o que se perspetiva, "nomeadamente o tratamento que vai ser feito, o período em que isto vai estar encerrado ou se já regresso ao não".

Isto porque, continuou, “não nos podemos esquecer que este hospital volta e meia está nas bocas do povo para encerrar e nós esperamos que não seja por isto, mas temos que ter garantias para estes enfermeiros.

“Ou seja, de que, quando tudo estiver tratado tudo regressará à normalidade também”, sustentou.

O diretor-geral da Saúde já disse hoje que foi detetada a presença de ‘legionella’ na rede de água do Hospital da Régua, embora nenhum dos 12 doentes ali internados tenha contraído a doença dos legionários.

Alfredo Gomes especificou que, dos 12 doentes, todos com mais de 70 anos, três tiveram alta esta manhã e nove foram sendo transferidos ao longo da manhã para o hospital de Chaves, onde foi reativada uma ala que estava fechada.

Segundo o dirigente, o CHTMAD vai garantir o transporte dos enfermeiros. No entanto, o responsável salientou os transtornos pessoais e familiares decorrentes desta decisão “de um dia para o outro” que apanhou toda a gente de surpresa.