Um comerciante de mármores de Mira que ficou sem um dedo após ter sido atendido na Cliria, um hospital privado em Aveiro, acusa os médicos de negligência médica, prática rejeitada pela administração do hospital.

O caso remonta a fevereiro passado, quando João Viana Lopes, de 73 anos, deu entrada naquela unidade hospitalar, pertencente ao grupo Espírito Santo Saúde, após ter sido mordido num dedo por um cão abandonado.

«Era um cãozinho pequenito. Fiz-lhe uma festinha, mas o cão andava tão chateado que arrancou-me a unha do dedo anelar da mão esquerda», disse à Lusa o septuagenário.

Dois meses depois do início do tratamento, João Viana Lopes conta que as dores não pararam e o dedo continuava infetado, pelo que decidiu dirigir-se de novo à Cliria, onde um outro médico lhe amputou parte do dedo.

O comerciante diz ter sido vítima de negligência médica, alegando que o tratamento efetuado no hospital privado não foi o adequado.

«Eles coseram-me o dedo e todos os médicos sabem que não se deve coser um dedo com uma mordidela, por causa das bactérias», explicou.

Como agravante, o doente diz que durante o período em que decorreu o tratamento, andou com «uma chapa» no dedo afetado, que lhe deixou a mão quase paralisada.

«Agora, nem consigo segurar o garfo com a mão para comer», referiu João Viana Lopes.

O antigo emigrante em França diz estar revoltado com esta situação e desde a passada sexta-feira colocou uma carrinha ligeira de mercadorias à porta da unidade de saúde com cartazes e imagens, em forma de denúncia pública.

«São falhas muito grandes que não se pode perdoar, para o meu bem e para o bem dos outros», afirmou o doente, que está disposto a avançar com o caso para os tribunais.

Contactada pela Lusa, a administração da Cliria nega as acusações de negligência médica, assegurando que «foi prestado ao doente o tratamento e acompanhamento médico e de enfermagem adequado e de acordo com as leges artis [regras da arte médica] em face da sua situação clínica que o mesmo apresentava».

A Cliria adianta ainda ter encetado um processo interno de averiguações, na sequência de uma reclamação escrita que o doente endereçou àquela unidade hospitalar em maio passado, tendo já enviado uma carta de resposta, com conhecimento à Ordem dos Médicos, acompanhada de relatórios médicos com o devido esclarecimento dos factos.

«A Cliria sempre se mostrou disponível para garantir a assistência clínica necessária e, bem assim, para prestar ao doente todos os esclarecimentos que o mesmo solicite», adianta a mesma fonte.