A Ordem dos Médicos e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses alertam para o aumento de doentes pouco urgentes nas urgências do Centro Hospitalar do Oeste, que estão cheias por dificuldades de resposta dos centros de saúde da região.

Dados dos últimos cinco dias referentes ao tempo de espera nas urgências de Torres Vedras e Caldas da Rainha revelam que houve dias em que os casos de pulseira amarela (a terceira mais grave de cinco segundo o protocolo de Manchester) esperaram em média duas horas quando o máximo estipulado é uma hora e os pouco urgentes (verde/quarto mais grave de cinco cores) em média três e cinco horas, quando deveriam ser atendidos ao fim de duas.

«A maior parte dos doentes têm pulseira verde (pouco urgentes), o que revela dificuldades de resposta dos centros de saúde», afirmou Pedro Coito, presidente do distrito médico do Oeste da Ordem dos Médicos, à agência Lusa.

A opinião é também partilhada pelo dirigente do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses Rui Marroni e pela própria administração do Centro Hospitalar do Oeste que, por escrito, confirmou que tem havido um «aumento progressivo» de doentes nas urgências, quando não há «disponibilidade de acesso dos utentes aos cuidados de saúde primários».

Dados oficiais do Centro Hospitalar do Oeste (CHO) revelam que, entre os dias 01 e 05 deste mês, foram atendidos 256 utentes pouco ou nada urgentes na urgência de Torres Vedras e 221 na urgência de Caldas da Rainha.

Nos últimos anos, vários centros de saúde deixaram de ter Serviço de Atendimento Permanente, outros reduziram para as 20:00 o horário de atendimento. Ao problema juntam-se o aumento de utentes sem médico de família, o aumento de utentes por médico de família e, em consequência, as dificuldades de acesso às consultas.

Para as causas do aumento de doentes nas urgências o CHO aponta também a procura de doentes idosos ou acamados, muito debilitados ou a sofrer de patologias crónicas, e a receção de doentes do foro médico oriundos do concelho de Mafra, que até setembro iam para o Centro Hospitalar Lisboa Norte.

As queixas de enfermeiros e médicos estendem-se à falta destes profissionais nestas urgências durante todo o ano, agudizando-se no atual período de maior afluência às urgências.

O CHO respondeu que «dispõe do número de médicos e enfermeiros considerados necessários para garantir a qualidade e a segurança na prestação dos cuidados de saúde», sem adiantar mais pormenores.

Para enfermeiros e médicos, a falta de profissionais contribui também para a retenção de macas e de ambulâncias dos bombeiros nestas urgências, problema que o CHO resolveu com o reforço de oito macas e que as corporações confirmam estar minimizado.

Para aquelas classes profissionais, a sobrelotação de macas nas urgências de Torres Vedras, mas também de Caldas da Rainha, deve-se também aos doentes que aguardam para ser internados e não têm camas nos diversos serviços, apesar de o CHO ter aberto mais 10 camas no hospital de Peniche para responder a este pico.

«Em Peniche há espaço físico para mais 20 camas, mas o CHO não as cria para não pagar a enfermeiros e médicos», criticou o representante da Ordem dos Médicos.