A Santa Casa de Misericórdia de Santo Tirso (SCMST) exige que o Governo lhe pague 450 mil euros, valor investido quando estava definido que passaria a gerir o hospital local, uma decisão revertida pela atual tutela socialista.

De acordo com o provedor da SCMST, José Santos Pinto, esta verba já foi descrita à União das Misericórdias Portuguesas (UMP) que, por sua vez a comunicou ao Estado.

"Há investimentos feitos e logicamente teremos de ser reembolsados. As misericórdias trabalham para prestar serviços e não para gerar lucros. Portanto temos de reaver o investimento feito ao longo deste ano", referiu esta segunda-feira Santos Pinto.


Em causa está o hospital de Santo Tirso, distrito do Porto, unidade que integra o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA) juntamente com a unidade de Famalicão, distrito de Braga. São atendidos nesse hospital utentes de Santo Tirso, bem como do concelho vizinho da Trofa.

A passagem para a alçada da SCMST tinha sido anunciada a 16 de dezembro de 2014 mas a 12 de dezembro último, ou seja quase com um ano de intervalo que coincidiu com trocas de Governo do PSD/CDS para o PS, foi anunciado que o processo tinha sido suspenso.

Ao longo deste período, o processo gerou polémica, mas o provedor da SCMST garantiu esta segunda-feira que um levantamento revelou que "85% do pessoal do hospital mostrou vontade que fosse a Misericórdia a gerir" o equipamento.

José Santos Pinto falava aos jornalistas após uma reunião com deputados do PSD, tendo o líder dos sociais-democratas do Porto, Virgílio Macedo, considerado que a reversão do processo "não tem nexo", pelo que avançou temer que venha a "prejudicar os utentes".

"Este Governo é um verdadeiro Governo de marcha atrás. Quer andar para trás em tudo aquilo que nos tirou da bancarrota desde 2011. Há aqui um preconceito ideológico em relação à gestão pelas Misericórdias que é inexplicável", referiu Virgílio Macedo que foi acompanhado pela deputada Andreia Neto, líder do PSD de Santo Tirso, a qual avançou que na sexta-feira foi entregue na Assembleia da República uma pergunta dirigida ao Ministério da Saúde sobre esta matéria.


A deputada também adjetivou de "falsas" as declarações trazidas a público pelos sindicatos e pela autarquia local gerida pelo socialista Joaquim Couto, aliando-se, neste capítulo ao provedor da SCMST que considerou "inadmissível" que "o responsável [referindo-se ao presidente da câmara] tivesse passado para a opinião pública a mensagem de que o Serviço Nacional de Saúde (SNS) ia sair" do hospital.

"É mentira. O SNS mantinha-se, o que mudava era a gestão", disse Santos Pinto que admitiu que a relação entre a instituição que gere e a câmara saiu "beliscada".

Confrontado com estas declarações Joaquim Couto contou à agência Lusa que se reuniu quinta-feira com o provedor da SCMST e com o presidente da UMS "a pedido deles", tendo deixado "claro" que "nada move a câmara contra a Misericórdia".

"Apenas se passa é que o Governo quis dar um sinal político claro de que o SNS é para manter na espera pública. E quanto ao PSD, este devia ter lido com maior atenção o acordo que ia ser firmado [caso a passagem fosse adiante como desejava o Governo PSD/CDS-PP] porque há uma redução de 25% [no valor que a SCMST ia receber face ao que o CHMA recebe da tutela]. Não havendo redução de pessoal como dizem e mesmo eventualmente com alguma poupança, faltaria dinheiro, que poderia inviabilizar os atos médicos", descreveu Joaquim Couto.
 

Câmara disponível para “ajudar” a financiar reorganização do hospital


A câmara de Santo Tirso avançou que está disponível para "ajudar" a financiar a reorganização do hospital local, estimando que o investimento urgente possa ir até cinco milhões de euros e culpando o anterior Governo pela "degradação" da unidade.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da câmara de Santo Tirso, o socialista Joaquim Couto, contou que, na sequência de contactos com os responsáveis quer do Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA), que gere o hospital, quer do Ministério da Saúde, já informou que a autarquia está "disponível" para "por exemplo se o investimento for fruto de fundos europeus colocar os 15% da contrapartida nacional".

"Se for de outra forma, também podemos colaborar. Quer em termos de investimentos quer em termos de recursos humanos, tem de ser feito qualquer coisa rápido. Porque a decadência do hospital não parou", disse Joaquim Couto.

O autarca descreveu por exemplo que na semana passada foram transferidos serviços para Famalicão e recordou que quer o Sindicato dos Enfermeiros, quer a Ordem dos Médicos pronunciaram-se recentemente "constatando a degradação dos últimos dois/três anos".

"A confiança dos utentes tem de ser reposta", disse Joaquim Couto que explicou ter chegado à verba de cinco milhões de euros pois essa era a inscrita em 2011 no plano de investimentos do então Governo PS de José Sócrates.

Entretanto Joaquim Couto também colocou este valor no Pacto de Desenvolvimento Territorial da Área Metropolitana do Porto, um documento aprovado em novembro de 2015 mas que, disse o autarca, o Governo PSD/CDS-PP de Pedro Passos Coelho anterior ao PS de António Costa "ignorou".

Em causa está o hospital de Santo Tirso, distrito do Porto, unidade que integra o Centro Hospitalar do Médio Ave (CHMA) juntamente com a unidade de Famalicão, distrito de Braga. São atendidos nesse hospital utentes de Santo Tirso, bem como do concelho vizinho da Trofa.