Os diretores de serviços, de unidades e coordenadores de valências do Centro Hospitalar Tondela-Viseu (CHTV) apresentaram hoje a suspensão de funções, em protesto contra a “degradação progressiva de vários serviços” no estabelecimento.

Os responsáveis dos diferentes serviços do CHTV apresentaram hoje, formalmente, “a suspensão imediata” das suas funções na direção dos serviços”, por diversas razões “alicerçadas nos inúmeros problemas particulares de cada serviço”, afirmam num documento a que a agência Lusa teve acesso.

“O desaparecimento completo da atividade do diretor clínico” e a “completamente inaceitável” (e “mais grave”) substituição, “em manifestações públicas da vida clínica hospitalar pelo vogal executivo [do concelho de administração]”, engenheiro [Francisco] Faro” é outro dos motivos apontados pelos subscritores do documento, dirigido ao diretor clínico e, por inerência do cargo, presidente da administração do CHTV, Cílio Correia.

“A degradação progressiva de vários serviços, alguns deles com uma influência direta e transversal na dinâmica hospitalar” que, se persistir, “terá uma repercussão irreparável no tratamento e orientação de muitos doentes”, como recentemente transmitiram aos responsáveis, é igualmente referida pelos diretores e coordenadores de serviços do CHTV para explicarem a sua decisão.

Também a “ausência de uma política, regras ou orientação, que não seja o desesperado desinvestimento cego e desordenado, a todos os níveis, tecnológico e humano” têm provocado o “descontentamento geral” no hospital, sublinham.

Os diretores de serviços, de unidades e coordenadores de valências CHTV criticam ainda “a desarticulação completa entre os órgãos de tutela intra-hospitalar”, que, em seu entender, impede a adoção de sistemas informáticos, tanto na planificação do trabalho clínico diário como na “influência negativa na gestão hospitalar”.

Além disso, apontam a falta de “um diretor clínico a tempo inteiro”, sublinham.

“O atual estado de coisas” no CHTV levará à “descredibilização deste hospital”, preveem os demissionários, que também afirmam que se vive um “insustentável mal-estar” ali, “tornando o dia-a-dia um trabalho penoso e desmotivante”.

A situação vai agravar-se a “curto prazo” na “resposta a todos os níveis, do diagnóstico ao tratamento dos doentes”, admitem ainda os subscritores do documento, que rejeitam assistir de “forma passiva a esta degradação sem precedentes”.

O presidente da Secção Regional do Centro (SRC) da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes, disse, entretanto à agência Lusa, que a Ordem vai “alertar” mais uma vez o Ministério da Saúde para a situação dramática do CHTV e que vai reunir com urgência com os diretores e coordenadores de serviços do hospital para debater a “gravidade da situação” no hospital.

Carlos Cortes, que confirma a decisão dos diretores e coordenadores em suspenderem as suas funções, recorda que os problemas no CHTV se têm vindo a avolumar, referindo, designadamente que, recentemente a unidade oncológica deste centro hospitalar ficou sem capacidade de resposta para os seus doentes, situação que receia possa voltar a acontecer nos próximos meses.

Para o presidente da SRC da Ordem dos Médicos, a situação do CHTV resulta essencialmente da lógica “economicista” com que tem sido gerido.