O ministro da Saúde disse esta terça-feira que Porto e Lisboa são as cidades portuguesas que «mais precisam de investimento» na rede de cuidados continuados integrados. Isto porque há escassez de oferta, face ao aumento de procura. O país precisa de «milhares de camas», mas as duas principais cidades são os casos mais prementes. 

«Divulgámos um estudo onde se constata que as áreas do Porto e de Lisboa são as mais carenciadas do país nesta área», referiu, citado pela Lusa, na cerimónia de inauguração da Unidade de Longa Duração e Manutenção da Celestial Ordem da Santíssima Trindade, no Porto.

Paulo Macedo lembrou que o território nacional necessita de «milhares de camas» na rede de cuidados continuados integrados, mas «no presente e no futuro» as prioridades são estas duas cidades, onde o investimento deverá ser «mais visível».

Segundo dados da Administração Regional de Saúde (ARS) do Norte, a região tem, atualmente, 2.171 camas prevendo-se que, até ao final do ano, o número aumente para 2.232, de um total nacional de 6.995. Anualmente, abrem no Norte do país uma média de 200 camas, «número significativo» dada a atual conjuntura, salientou o ministro.

Paulo Macedo frisou que este ano já entraram em funcionamento 10 novas unidades, estando ainda prevista a abertura de mais três em Sernancelhe, Barcelos e Ponte da Barca, num total de 100 camas. «Mesmo em alturas de crise conseguimos aumentar a rede nacional de cuidados continuados integrados e disponibilizar mais de 1.400 camas, fator muito positivo, mas queremos reforçar este número», afirmou.

O Ministério da Saúde canalizou, este ano, cerca de 120 milhões de euros neste setor, prevendo aumentar o investimento em 20 milhões para o próximo ano. «A rede de cuidados continuados integrados é uma área prioritária porque há um crescendo de pessoas com doenças crónicas».

Para o presidente da Câmara do Porto, Rui Moreira, a rede de cuidados continuados é um serviço «útil e necessário para a visão de cidade acolhedora, moderna e confortável que o Porto quer ser». Na sua opinião, o Porto precisa de mais camas neste setor. «Estamos empenhados em construir, em conjunto com a ARS Norte, a carta dos equipamentos dos cuidados de saúde primários, instrumento de planeamento inovador, que queremos apresentar ainda este ano», mencionou.

A Unidade de Longa Duração e Manutenção da Celestial Ordem da Santíssima Trindade, inaugurada hoje, disponibiliza 26 camas, num investimento de cerca de um milhão de euros, financiado a 85% por fundos comunitários, avançou o provedor. José Tavares Pinto Brandão lançou ao ministro da Saúde o repto de abrir a valência de média duração e reabilitação porque o Hospital da Trindade tem «espaço, conhecimento e competência». «Todos ficaríamos a ganhar com esta combinação».