A Sociedade Portuguesa de Medicina Interna reclama incentivos económicos para atrair os médicos internistas a admitir pelos hospitais do Serviço Nacional de Saúde, lembrando que a carência é grande e que muitos profissionais saem para os privados.

Um levantamento do Ministério da Saúde publicado em Diário da República esta semana veio mostrar que a medicina interna é a especialidade com maior carência de médicos nos hospitais públicos.

“Consideramos importante o reconhecimento da carência de internistas nos hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a necessidade da sua contratação, mas gostaríamos que houvesse maior flexibilidade e autonomia dos hospitais na escolha das pessoas, mantendo o respeito pela equidade, e que se encontrem formas de compensação económica e outras que tornem mais satisfatória e atrativa a atividade desta especialidade”, refere a Sociedade de Medicina Interna em comunicado.

Estes profissionais salientam que a necessidade e internistas nos hospitais tem crescido de uma forma mais rápida do que o número de internistas admitidos pelos hospitais do SNS, apesar de até irem sendo abertas vagas em “número generoso”.

“Temos observado uma incapacidade de contratarmos os internos que formamos e a quem damos formação para responder a necessidades específicas dos nossos hospitais, vendo-os sistematicamente fugir para os grupos privados de saúde ou hospitais PPP, que têm mais facilidade de contratação e escolha, oferecendo-lhes melhores salários e condições”, resume a Sociedade de Medicina Interna.

Os profissionais desta especialidade queixam-se de que veem as outras especialidade cirúrgicas serem pagas por produção adicional, enquanto os internistas têm de “cuidar do dobro dos doentes” espalhados por todo o hospital “sem incentivo de qualquer espécie”.

As equipas estão envelhecidas e muitos dos profissionais já ultrapassaram a idade para fazerem urgências, sem que haja renovação dos quadros.

De acordo com o levantamento do Ministério da Saúde, ao todo são 736 os especialistas em falta nos hospitais públicos do país, entre os quais se destacam os de medicina interna, os anestesiologistas e os psiquiatras, relativamente aos quais a tutela identificou, respetivamente, 129, 57 e 46 vagas a preencher urgentemente.