A injeção de capital nos hospitais anunciada esta semana pelo Ministério da Saúde vai permitir ao Centro Hospitalar do Algarve (CHA) afastar-se da «falência técnica crónica», iniciando o novo ano sem dívidas, informou a administração.

A administração do CHA - criado em 2013 e que integra as unidades de Faro, Portimão e Lagos -, adianta que o agora anunciado aumento de capital, na ordem dos 24,6 milhões de euros, permitirá ao centro iniciar o ano de 2015 com «capitais próprios nulos ou mesmo positivos», dependendo dos resultados atingidos, a apurar no fecho do ano, lê-se num comunicado, que é citado pela Lusa.

Aos aumentos de capital ocorridos em 2014 - um primeiro, de 69,4 milhões milhões de euros e o agora anunciado -, acrescem ainda 5,3 milhões de perdão de juros, num reforço total de 99,3 milhões de euros, montante que permite ao centro sair da «falência técnica crónica que tem marcado o desempenho financeiro das entidades hospitalares do Algarve».

O despacho assinado na sexta-feira passada pelos Ministérios da Saúde e das Finanças prevê um aumento de capital dos hospitais públicos de norte a sul do país, que envolve mais de 450 milhões de euros, não relacionados com as verbas do Orçamento do Estado e que começam a ser disponibilizados ainda este ano.

Este novo aumento de capital por parte do Ministério da Saúde destina-se agora a pagar dívidas vencidas e contraídas até 30 de setembro de 2014 pelas Entidades Públicas Empresariais do Serviço Nacional de Saúde.

No caso do Centro Hospitalar do Algarve, o montante disponibilizado permite liquidar a dívida antiga a fornecedores, acumulada até 31 de dezembro de 2011, dado que desde 1 de janeiro de 2012 que nem o Hospital de Faro, nem o de Portimão, nem o entretanto constituído Centro Hospitalar do Algarve registam qualquer acumulação de dívidas em atraso.

O aumento de capital de que o centro hospitalar já tinha beneficiado no início do ano permitiu liquidar a dívida antiga contraída em 2008 e 2009 ao abrigo do Fundo de Apoio ao Sistema de Pagamentos do Serviço Nacional de Saúde (FASP), sublinhou a administração.

De acordo com o CHA, a par dos esforços que têm vindo a ser empreendidos na redução de custos operacionais, este aumento de capital é a «única forma de se conseguir assegurar a manutenção e desenvolvimento dos cuidados prestados à população residente e não residente que acorrem às unidades hospitalares algarvias».