A quantidade de cocaína apreendida na quinta-feira pela polícia no porto da Horta (1.150 kg) poderia render "cerca de 300 milhões de euros" se fosse vendida ao consumidor final, anunciaram hoje as autoridades.

A estimativa foi avançada pela Polícia Judiciária e pela Polícia Marítima, que consideram ter desmantelado uma importante rede internacional de tráfico de droga, que utilizava meios navais para tentar introduzir estupefacientes no mercado europeu.

"Esta embarcação era tripulada por cinco indivíduos. Não é normal haver um número de tripulantes tão expressivo em veleiros utilizados no transporte de cocaína" explicou coordenador da PJ nos Açores, João Oliveira.


Segundo explicou, este número anormal de tripulantes (quatro de nacionalidade sérvia e um alemão) deve-se à dimensão da embarcação (24 metros) e à quantidade de estupefacientes transportada, que, no entender de João Oliveira "também não é comum".

"Trata-se da maior apreensão de cocaína alguma vez feita nos Açores", sublinhou o coordenador da PJ no arquipélago, adiantando que "a organização criminosa que sustenta este tipo de tráfico, é uma organização com algum relevo e expressão."


De acordo com João Oliveira, a embarcação apresada pelas autoridades vinha das Caraíbas e tinha Espanha como destino, estando já "referenciada", o que permitiu à PJ e à Polícia Marítima coordenarem as operações e intervirem de imediato, logo que a embarcação deu entrada no porto da Horta.

João Oliveira admite que a marina da Horta pode ser um local procurado pelos traficantes de droga como porto de escala nas travessias do Atlântico rumo à Europa, mas lembrou que o porto da Horta "não é um porto suspeito".

"O porto da Horta é conhecido internacionalmente. É muito procurado porque está na rota da navegação de quem se dirige do continente americano para continente europeu, por isso é normal que alguns grupos criminosos o utilizem para reabastecimentos", admitiu o coordenador da PJ, que garante que as autoridades regionais "estão atentas" a esses movimentos.