O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) vai solicitar a intervenção do primeiro-ministro e dos partidos para o governo repor o pagamento a 100 por cento do valor das horas extraordinárias, uma revindicação que poderá resultar numa greve dos clínicos.

Em declarações à agência Lusa, o secretário-geral do SIM disse que o conselho nacional deste sindicato deu “luz verde” para que sejam tomadas medidas com vista ao fim da “manutenção da injustiça do pagamento em 50 por cento das horas extraordinárias, ao mesmo tempo que persistem o pagamento às empresas de mais do triplo desse valor”.

“O SIM continua a privilegiar o diálogo e a demonstrar uma infinita paciência, já desde o PAF [programa de ajustamento financeiro], e a aguardar a reposição do valor”, disse Jorge Roque da Cunha.

O dirigente sindical lamenta, sobretudo, que ao mesmo tempo que o Ministério da Saúde alega não ter meios para esta reposição, aceite pagar 50 euros à hora às empresas de prestação de serviços médicos.

“Ao lado de um médico chefe de equipa que recebe cinco euros a mais por cada hora extraordinária que faça pode estar um profissional sem qualquer tipo de responsabilidade e a quem é pago 50 euros por essa mesma hora”, disse.

Para demover o Governo neste propósito, o SIM vai solicitar uma reunião com o primeiro-ministro, bem como com os grupos parlamentares na Assembleia da República.

O SIM vai ainda solicitar um encontro com a Federação Nacional dos Médicos (FNAM) para com esta força sindical “articular futuras ações”.

De acordo com Jorge Roque da Cunha, uma greve não está posta de parte, mas será sempre “um último recurso”. O sindicalista sublinhou ainda que é grande o desânimo junto da classe médica.

“Os médicos estão furiosos”, disse.