O horário dos médicos vai ser mais controlado a partir de janeiro. De acordo com um despacho publicado em Diário da República, todos os profissionais de saúde, incluindo prestadores de serviços, terão de "picar o ponto".

De acordo com a edição deste sábado do Diário de Notícias (DN), o Governo vai obrigar os hospitais do Serviço Nacional de Saúde (SNS) a registarem as presenças de todos os médicos, incluindo os tarefeiros, através do sistema biométrico de reconhecimento de impressões digitais.

O jornal refere que um dos principais objetivos é levar a "uma nova abordagem na gestão, por exemplo, das urgências de Lisboa e Porto".

Com esta medida o Ministério da Saúde pretende cruzar a disponibilidade de médicos com os fluxos nas urgências, para melhorar a resposta aos doentes.

Na reação, o bastonário da Ordem dos Médicos diz que a decisão do Governo só vai acrescentar burocracia desnecessária.

Uma suposta agilização através da burocratização não é solução para a saúde", afirma Miguel Guimarães ao DN.

O bastonário diz que ao alargar a obrigatoriedade do registo biométrico a médicos à tarefa (já que a maioria dos profissionais dos quadros dos hospitais já o fazem) só vai aumentar a confusão nos serviços e até criar problemas.

"Vamos dar um exemplo: no Hospital de São João, no Porto, existem urgências regionais em áreas como oftalmologia, gastrenterologia, entre outras especialidades. O que faz que equipas de outros hospitais façam ali urgências a partir das 20.00. Agora imaginemos um médico que sai do Hospital de Santo António às 20.00 e só chega ao São João às 20.10 e ainda tem de estar preocupado com o registo biométrico, que às vezes tem falhas. Se a preocupação passar a ser colocar um dedo numa máquina, os doentes não vão sair beneficiados."

Também Mário Jorge Neves, da Federação Nacional dos Médicos já tomou uma posição pública de critica ao despacho do Governo, acusando o Ministério da saúde de aplicar "políticas de remendos".