O Conselho de Ministros deverá aprovar, esta quinta-feira, a proposta de lei que torna legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O documento será depois enviado para a Assembleia da República, onde também deverá ser aprovado.

Nas horas que antecedem aquele que poderá ser um marco na sociedade portuguesa, o tvi24.pt conversou com o presidente da Associação ILGA Portugal - Intervenção Lésbica, Gay, Bissexual e Transgénero, Paulo Côrte-Real.

Casamento gay: «É preciso coragem para marcar o referendo»

Um argumento a favor

A igualdade entre as pessoas e a não discriminação perante a lei.

Um argumento contra

É difícil reconhecer os argumentos de quem é contra o casamento homossexual. Não consigo entendê-los, porque não há qualquer argumento sustentável. O que há é muita homofobia. Todos somos homófobos à partida, porque somos educados assim, e as pessoas nem se apercebem que são homófobas.

Uma coisa para fazer antes da aprovação do casamento homossexual que ainda não tenha sido feita e uma coisa para fazer depois da aprovação do casamento homossexual que já tenha sido feita

Acho que não há nada para fazer antes ou depois, devia ser tudo resolvido de uma vez. As questões da parentalidade, como a adopção, a reprodução medicamente assistida, a co-parentalidade e a adopção singular são todas urgentes.

Um país que tenha a solução ideal

Espanha, onde os casamentos entre pessoas do mesmo sexo, com nacionalidade e/ou residência espanhola, são permitidos. É um bom exemplo, onde cresce exponencialmente o apoio a estas matérias e onde estão sempre a surgir novas medidas benéficas neste campo. No dia seguinte à aprovação, os espanhóis que eram contra perceberam que os seus argumentos não faziam sentido. Talvez venha a ser assim em Portugal.

Caso seja aprovado, o que vai fazer a ILGA?

Este é um marco, mas vem aí um novo estádio de luta. As questões da parentalidade continuarão pendentes. Uma batalha foi ganha, mas não a guerra. Este foi só o primeiro passo: eliminar a discriminação na lei. Agora é preciso eliminá-la noutros sectores da sociedade.

Caso haja referendo, o que vai fazer a ILGA?

Um referendo seria absolutamente inaceitável, nem sequer se coloca essa hipótese. Não se pode referendar os direitos das minorias. Isso seria totalitário. Parece-me apenas uma estratégia desesperada de quem não quer avançar com o casamento homossexual.

Um bom e um mau exemplo de um casal homossexual para a sociedade

O casal de lésbicas que continua a lutar nos tribunais pelo seu casamento. Acho que foi um bom exemplo, com um impacto positivo na sociedade. Elas terem um nome e uma cara foi muito importante para a causa.