O Conselho de Ministros deverá aprovar, esta quinta-feira, a proposta de lei que torna legal o casamento entre pessoas do mesmo sexo. O documento será depois enviado para a Assembleia da República, onde também deverá ser aprovado.

Nas horas que antecedem aquele que poderá ser um marco na sociedade portuguesa, o tvi24.pt conversou com o porta-voz dos socialistas católicos, Cláudio Anaia.

Casamento gay: «Ganhámos uma batalha, mas não a guerra»

Um argumento a favor

Sou contra o casamento homossexual, mas penso que com uma união civil se possa alargar alguns direitos que hoje ainda não existem, como por exemplo em caso de heranças ou de visitas do companheiro num hospital.

Um argumento contra

A diferença estrutural entre homem e mulher corresponde a um desígnio natural e a sociedade estrutura-se a partir dessa dualidade. A diferença entre homem e mulher não é fruto do acaso (como se pudesse deixar de ser assim), mas corresponde a um desígnio natural que faz dessa diferença uma ocasião de enriquecimento recíproco, que apela à unidade e comunhão a partir da diversidade. É isto mesmo que exprime a instituição do casamento, que as diferenças entre homem e mulher não são uma ocasião de conflito, mas de colaboração e enriquecimento recíproco.

Uma coisa para fazer antes da aprovação do casamento homossexual

A coragem de se marcar um referendo sobre esta matéria. Tanto no Partido Socialista como na sociedade portuguesa este assunto nunca foi discutido abertamente.

Uma coisa para fazer depois da aprovação do casamento homossexual

Espero que o casamento homossexual, assim como a adopção de crianças por estes, nunca sejam legais em Portugal.

Um país que tenha a solução ideal

Na maioria dos países onde há casamento entre pessoas do mesmo sexo e consequente adopção de crianças por estes, de uma forma geral, as coisas não têm corrido bem.

Caso seja aprovado, o que vão fazer os socialistas católicos?

Vamos continuar a defender a nossa posição, mostrando que numa matéria de tão grande significado ético, cultural e civilizacional, onde se joga o modelo de referência de família como núcleo social fundamental, onde se pretende alterar um modelo secular, é inadmissível que a opção tenha sido tomada em função de estratégias políticas ou modas ideológicas e contra o sentir da maioria do povo. Se o povo não está esclarecido, pois que se aproveite e se marque um referendo para o esclarecer. Mas que não se decida contra ele, que é o que vai acontecer caso seja aprovado na Assembleia da República.

Caso haja referendo, o que vão fazer os socialistas católicos?

Vamos participar activamente no referendo e defender que, na instituição do casamento, as diferenças entre homem e mulher não são uma ocasião de conflito, mas de colaboração e enriquecimento recíprocos. O casamento não é uma criação do Estado. Este limita-se a reconhecer uma instituição que lhe é anterior, que alguém correctamente qualificou como a mais perene das instituições. E não pode deixar de revelar um pendor totalitário e até abusivo, na minha opinião, a pretensão do Estado de redefinir em dois tempos essa instituição.

Um bom e um mau exemplo de um casal homossexual para a sociedade

Bom exemplo não conheço. Como democrata que sou, respeito a opinião de todos, mesmo daqueles que pensam diferente de mim. Lamento apenas as mentiras ou insinuações que têm sido feitas sobre a minha pessoa nalguns órgãos de comunicação e na blogosfera. Mas já estou habituado a comportamentos desses da parte de quem não tem razão e recorre a esses meios.