Embora o sínodo dos bispos sobre a família não tenha chegado, em outubro, a um acordo sobre os casos de divórcio e sobre os homossexuais, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa (CEP), Manuel Clemente, disse esta quinta-feira existir disponibilidade dos bispos para conciliar a tradição católica com novas realidades familiares.

«Estamos com muito boa vontade para tentar conciliar, da maneira mais autêntica, aquilo que é a tradição católica com aquilo que são as respostas a dar a situações que hoje efetivamente ou têm uma gravidade acrescida ou se põe em maior quantidade do que se punha noutra altura»


«Da parte da prática eclesial, quer em Roma, quer nas dioceses, se tem caminhado muito no sentido da maior atenção e da resolução possível de alguns problemas que se põem», como os casamentos que resultam em divórcio, afirmou, na conferência de imprensa no final da 185.ª assembleia plenária da CEP, em Fátima, na qual os bispos falaram sobre o sínodo extraordinário sobre a família.

«Hoje, em qualquer diocese - e eu falo por aquelas duas que servi e sirvo [Porto e Lisboa] - constantemente nós recebemos pedidos de verificação da validade do sacramento como matrimónio». «Em grande parte dos casos» se conclui pela «verificação da nulidade do sacramento e até com a abertura à possibilidade do sacramento matrimonial».

O sínodo dos bispos sobre a família, que se realizou em outubro, em Roma, e no qual participou Manuel Clemente, aprovou um relatório final, sem que tenha sido alcançado um acordo em relação aos casos de divórcio e aos homossexuais. 

Citado pela agência France Presse, o porta-voz do papa, padre Frederico Lombardi, disse que o relatório final foi «reequilibrado» para ter em conta a relutância dos prelados mais conservadores. O documento faz um inventário dos problemas diversos da família nos cinco continentes, como o acolhimento pela Igreja dos casais em união de facto, homossexuais ou divorciados.

O relatório vai servir de apoio ao nível da CEP e das várias instâncias diocesanas para a preparação da próxima sessão ordinária do sínodo dos bispos, em outubro de 2015. Lê-se no comunicado final da assembleia plenária da CEP:

«Sem descurar as várias problemáticas e dificuldades relacionadas com a família, a prioridade será dada à pastoral familiar, para que a comunidade cristã seja sempre autêntica 'família de famílias'»