O BE perguntou esta quarta-feira ao Governo se mantém a confiança política no presidente do Instituto Português do Sangue e da Transplantação (IPST), depois de este ter afirmado que um homem não pode dar sangue quando tem sexo com homens.

O presidente do IPST, Helder Trindade, foi hoje ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do BE, para efeitos de esclarecimento sobre a aplicação de uma resolução de 2010, que recomenda ao Governo a adoção de medidas que visem combater a discriminação de homossexuais e bissexuais nos serviços de recolha de sangue.

Segundo o presidente do IPST, está definido como fator de risco, e por isso de exclusão, para a dádiva de sangue, "ser homem que tem sexo com homens", atendendo às taxas de prevalência de infeção com o vírus da sida.

Apesar de a pergunta "se é homem, teve relações com outro homem?" ter saído dos questionários escritos feitos antes das dádivas de sangue, continua a haver indicações para que seja sempre formulada a quem se apresente para doar sangue.

Para o BE, a declaração de Helder Trindade revelou-se preconceituosa, uma vez que o risco resulta de sexo desprotegido, e não da orientação sexual.

Na pergunta dirigida ao Governo, através do Ministério da Saúde, o Bloco de Esquerda quer saber, ainda, como o executivo justifica que a resolução "não esteja a ser cumprida" e se subscreve a declaração de Helder Trindade, de que "um homem ter relações sexuais com outro homem é um comportamento de risco, mesmo que essa relação seja protegida".

No mesmo documento, os bloquistas sustentam que "o único critério seguro, rigoroso e exigente" a ter em conta para a dádiva de sangue "é o que indaga os comportamentos sexuais de risco".

"Não interessa saber se determinada pessoa tem práticas com alguém do mesmo sexo, mas sim se tem práticas sexuais de risco, independentemente de ser homem ou mulher", frisam.