Paulo Jorge Almeida, acusado de matar Alexandra Neno e Diogo Ferreira, começou a ser julgado em quarta-feira em Loures. O homem, agora com 36 anos, nega que os homicídios tenham sido premeditados.

O testemunho desta quarta-feira fica marcado por várias contradições relativamente aos primeiros esclarecimentos prestados ao juiz de Instrução.

O arguido entregou-se voluntariamente às autoridades em novembro de 2013 para confessar os crimes por «não conseguir viver com os remorsos», estando em prisão preventiva desde esse mês.

O homem, além de estar acusado da morte das duas vítimas, vai responder por tentativa de homicídio, por disparar sobre um automobilista na zona das Amoreiras, em Lisboa.

O arguido é suspeito de matar Alexandra Neno no estacionamento junto ao condomínio onde esta vivia, na urbanização Real Forte, em Sacavém, concelho de Loures, no dia 29 de fevereiro de 2008. Será também o presumível autor da morte de Diogo Ferreira, no parque de estacionamento de um centro comercial de Oeiras, no dia seguinte, 01 de março.

O homem está acusado de três homicídios qualificados, um na forma tentada, de um crime de roubo e outro de furto, ambos tentados, e de um crime de detenção de arma proibida.

O despacho de acusação do Ministério Público (MP), a que a Lusa teve acesso, descreve que o arguido, a 29 de fevereiro de 2008, saiu da sua residência, na zona da Bobadela, Loures, na posse de uma pistola de 6.35 milímetros.

«Fê-lo com a intenção de, caso avistasse alguém que tivesse consigo algum objeto que lhe parecesse de valor e com o qual lhe interessasse ficar, deste se apoderar, se necessário fosse, com recurso à utilização da dita pistola», sublinha a acusação, referindo que a hipótese de usar a arma lhe «provocava um sentimento de excitação e expectativa».

O suspeito chegou à Urbanização Real Forte, em Sacavém, pouco antes das 19:30 desse dia, tendo Alexandra Neno chegado ao local cerca de 15 minutos depois. Para não perder a cobertura de rede, a vítima ficou a falar com uma amiga ao telemóvel à entrada da garagem do edifício onde vivia, sentada na viatura.

O MP explica que o arguido abordou e apontou a arma na direção de Alexandra Neno, ordenando que lhe desse o telemóvel. A ofendida começou a buzinar e a gritar por socorro e, no momento em que colocou a perna fora da viatura, o suspeito disparou.

Segundo a acusação, após cometer o crime, o arguido foi para a sua casa, onde «formulou diversos pensamentos de vingança relativamente ao seu superior hierárquico, que o havia denunciado perante a chefia da empresa em que trabalhava, por ter sido encontrado a dormir na hora de serviço, o que motivou que o mesmo sofresse uma advertência».

Munido com a mesma pistola, Paulo Jorge Almeida dirigiu-se na mesma noite para o estacionamento coberto do centro comercial Oeiras Parque, local onde sabia que ia encontrar o seu superior, e onde chegou por volta das 23:30.

Já na madrugada de 1 de março, cerca das 00:30, quando o arguido tentava abrir uma das portas da viatura do seu superior hierárquico com uma chave de fendas, «a fim de subtrair objetos de valor inferior a 100 euros», Diogo Ferreira (que trabalhava numa loja da grande superfície) e um amigo deslocaram-se para aquela zona.

O MP frisa que o arguido, a fim de impedir que fosse identificado e intercetado, se escondeu atrás de um pilar e «decidiu pôr termo à vida» de Diogo Ferreira, colocando-se de seguida em fuga.

Ainda nessa madrugada e quando circulava na zona das Amoreiras, em Lisboa, Paulo Jorge Almeida efetuou um disparo na direção de um condutor que realizou uma manobra de trânsito que «agastou» o arguido, mas sem o atingir, sustenta a acusação.

Paulo Almeida é casado e pai de um filha. Não tinha antecedentes criminais.