O Tribunal de Coimbra condenou, esta segunda-feira, seis dos sete madeireiros acusados de sequestro e homicídio na forma tentada, em Cantanhede, a penas de prisão entre cinco anos e seis meses e 13 anos e seis meses.

O tribunal aplicou a pena mais pesada, 13 anos e meio de cadeia, ao arguido Edilson Oliveira, e absolveu Marcos Santana dos crimes que lhe eram imputados.

Os arguidos, madeireiros, eram suspeitos de terem sequestrado e tentado matar três homens, com recurso a arma de fogo, murros, um martelo e um ferro em forma de espeto, a 08 de setembro de 2014, num pinhal perto da praia da Tocha, concelho de Cantanhede, distrito de Coimbra, num alegado ajuste de contas entre suspeitos e vítimas.

Eram acusados de, entre si, terem cometido os crimes de coação, sequestro, ofensa à integridade física e homicídio qualificado na forma tentada.

Os ofendidos eram suspeitos de terem furtado 4.700 euros e os arguidos terão decidido fazer justiça pelas próprias mãos.

As vítimas foram agredidas e duas delas levaram quatro tiros, tendo sido colocadas dentro de uma carrinha regada com gasolina no interior e no exterior, mas acabaram por conseguir fugir e procurar ajuda.

A sete anos e seis meses de prisão cada foram condenados José Carlos Araújo, Robis Ferreira e Melquisedeque Lima.

O tribunal aplicou penas de cinco anos e seis meses de prisão a Karlei Gomes e Joilson Jesus.

Ao ler a sentença, a juíza realçou o dolo dos atos praticados por Edilson, autor dos disparos com arma de fogo, concluindo que “teve sempre a intenção de matar”, mas “não se pode dizer que os demais arguidos” tivessem esse objetivo.

A magistrada disse ainda que os condenados “não revelaram qualquer respeito pelo valor da vida humana” e evidenciaram “um espírito de colaboração e de conjunção de esforços” na prática dos crimes.

Os seis condenados terão de pagar às vítimas indemnizações por danos não patrimoniais que totalizam 55 mil euros.

A advogada dos três ofendidos, Sandra Reis, disse aos jornalistas que os seus constituintes já decidiram recorrer da sentença, por considerarem, designadamente, que “deve ser agravada” a pena de sete anos e seis meses de prisão aplicada ao arguido Melquisedeque.

Também o advogado Manuel Costa Vieira, representante de cinco dos sete arguidos, disse que iriam “ponderam com mais calma” um eventual recurso.