A advogada de defesa disse esta segunda-feira no Tribunal de Coimbra que «não houve investigação» no caso em que a inspetora da PJ Ana Saltão é acusada de homicídio qualificado da avó do marido.

«Concordamos que este seja um crime bárbaro, mas mais bárbaro é perceber que não houve investigação», disse Mónica Quintela, advogada de defesa de Ana Saltão, no início da primeira sessão do julgamento da inspetora da PJ acusada pelo Ministério Público de homicídio qualificado e de peculato (pelo alegado uso de arma que pertencia a colega da Judiciária).

Segundo a advogada, a investigação do crime que ocorreu na tarde de 21 de novembro de 2012 «terminou entre as 02:30 e as 03:00 da madrugada de 21 para 22» desse mês, considerando que a partir desse momento a investigação foi feita «a cheirómetro».

Mónica Quintela referiu que «não há nenhuma prova» e que a defesa vai demonstrar «a falsificação dos autos», que têm «informações deturpadas», sublinhando que «esta investigação mete medo».

No final da sessão da manhã, questionada pelos jornalistas, a advogada considerou que a sua cliente «foi crucificada na comunicação social».

Jorge Leitão, procurador que representa o Ministério Público, juntamente com Ângela Bronze, frisou que a idosa de 80 anos, que morava sozinha em Coimbra, «foi barbaramente assassinada com 14 tiros», constatando que as balas eram de calibre 9mm, «que são para as forças de segurança e militares».

Ana Saltão, inspetora da PJ desde 2005, estava de baixa médica quando ocorreu o crime, afirmando, no Tribunal de Coimbra, que passou a tarde de 21 de novembro em casa, tendo ido buscar a filha ao infantário às 19:30. Disse ainda que foi informada da morte da avó do marido por volta da meia-noite desse mesmo dia.

Ana Saltão, que posteriormente entregou a sua arma de serviço à PJ, assim como a munição, informou que, aquando da busca à sua casa, estranhou que os inspetores da PJ «não tenham saído da sala», não tendo havido qualquer inspeção à sua casa.

Disse que apenas lhe pediram o casaco, sapatilhas e calças que usou no dia 21 de novembro.

Questionada pelo presidente do tribunal de júri, o juiz João Ferreira, a arguida alegou ainda que os resíduos de disparos encontrados pela PJ nas mangas do seu casaco surgiram «por contaminação», no contacto com colegas que manuseiam armas ou quando entregou a sua arma de serviço e respetiva munição, relata a Lusa.

O julgamento da inspetora terá audiências contínuas entre esta semana e a próxima, tendo sido escolhido um tribunal de júri.

O coletivo de juízes é composto por João Ferreira, Fernanda Almeida e Alexandra Silva.