O Ministério Público defendeu esta quinta uma pena de prisão não inferior a 18 anos para o suspeito do homicídio de uma professora encontrada morta na praia da Aguda, em Sintra, mas a defesa insiste na absolvição.

Nas alegações finais proferidas no Tribunal de Sintra, o procurador do Ministério Público referiu que «não há a menor dúvida» de que o suspeito afogou Delmira Claro, de 53 anos, no dia 31 de março de 2013, e lhe retirou os cartões e documentos bancários.

«O relatório da autópsia é claríssimo, bem como são claríssimas as marcas no corpo de socos que fraturaram as costelas da vítima para lhe extrair as cadernetas. A vítima foi mergulhada numa das poças de água que no pico da maré cheia ficavam no fundo da praia», referiu o procurador.

O Ministério Público defendeu, por isso, a condenação do suspeito pelo crime de homicídio simples, numa pena entre os 14 e 15 anos, bem como a condenação por roubo, numa pena que não deverá ser inferior a cinco anos, e ainda por burla informática, numa pena não inferior a dois anos.

«No global, o Ministério Público considera que deve ser aplicada uma pena que não deverá ser inferior a 18 anos de prisão», concluiu o procurador.

O advogado da filha da vítima pediu também a condenação do arguido por todos os crimes de que está acusado, inclusive ao pagamento de uma indemnização superior a 100 mil euros, por danos materiais e não materiais.

Devido ao adiantado da hora, o juiz determinou que a audiência fosse suspensa, ficando por se ouvir as alegações finais da defesa do arguido, agendadas para a próxima terça-feira.

No entanto, aos jornalistas, Hélder Fráguas, advogado do suspeito, assegurou que será pedida a absolvição de todos os crimes.

«Não tenho dúvidas nenhumas de que a vítima morreu no dia 1 de abril e não no dia 31 de março e está por demonstrar que houve assassinato», adiantou o advogado, assegurando que o arguido «nunca na sua vida esteve na praia da Aguda».

Além disso, acrescentou, «é absolutamente irrealista dizer que o arguido lhe bateu para extrair os cartões». As lesões corporais da vítima, acrescentou, resultaram do embate nas rochas.

Na audiência de hoje, a defesa do arguido requereu que fosse feita nova perícia pelo Instituto de Medicina Legal pela inexistência de moscas no cadáver da vítima, que se juntasse a filmagem de uma reportagem televisiva com um novo testemunho e que fosse feita nova perícia ao relógio da vítima, que poderia determinar a hora da morte. Os três requerimentos foram rejeitados pelo juiz.

Delmira Claro, de 53 anos, foi encontrada morta na praia da Aguda, concelho de Sintra, a 01 de abril de 2013. O corpo estava despido da cintura para baixo, sem documentos, e foi reconhecido pela filha dias depois no Instituto de Medicina Legal de Lisboa.

O suspeito, residente no Cacém, foi detido a 18 de abril, pela Polícia Judiciária (PJ). Segundo a acusação, o arguido deslocou-se na madrugada de 31 de março com a vítima até à praia da Aguda, onde a obrigou a dar-lhe os cartões de crédito e de débito e as respetivas senhas.

A professora, residente na Charneca da Caparica (Almada), sofreu várias pancadas na cabeça, no tórax, nos braços e nas pernas e terá sido depois arrastada inconsciente para a água, morrendo por afogamento.

O arguido, que testemunhos dão como a última pessoa vista com a vítima, efetuou nos dias seguintes levantamentos com os cartões bancários, no total de 2.240 euros.

Está acusado dos crimes de homicídio, burla informática e utilização fraudulenta de cartões bancários, como reporta a Lusa.