O suspeito do homicídio de uma professora encontrada morta na praia da Aguda, Sintra, foi esta segunda-feira condenado a 17 anos e seis meses de prisão, como pedira o Ministério Público, mas a defesa pretende que o julgamento seja repetido.

O coletivo de juízes condenou Hugo Sousa a 15 anos de prisão por um crime de homicídio, quatro anos por roubo e dois anos e seis meses por burla informática, fixando a pena no cúmulo jurídico de 17 anos e seis meses.

O acórdão resumido pelo juiz presidente Paulo Cunha condenou ainda o arguido no pagamento de uma indemnização de perto de 120 mil euros, dos quais 115 mil por danos não patrimoniais, à filha de Delmira Claro.

O Ministério Público tinha pedido uma pena de prisão não inferior a 18 anos, por considerar provada a acusação de que o arguido se deslocou com a amiga na madrugada de 31 de março à praia da Aguda, agredindo-a para que lhe desse os cartões bancários e as senhas, antes de a matar por afogamento.

Hugo Sousa, residente no Cacém, foi detido a 18 de abril, pela Polícia Judiciária, na posse do carro da professora e de outros bens, como chaves e cartões bancários.

O homem justificou que a vítima lhe deu a viatura e que efetuou levantamentos nos dias seguintes com os cartões bancários, no total de 2.240 euros, como pagamento de verbas que antes tinha emprestado.

O arguido declarou-se sempre «inocente» dos crimes de homicídio, burla informática e utilização fraudulenta de cartões bancários, de que está acusado.

O advogado do arguido, Hélder Fráguas, considerou que o arguido não dispôs «das mesmas armas» que o Ministério Público para provar a sua inocência e anunciou que vai recorrer e pedir que o julgamento seja repetido.

Para o advogado da assistente, Jaime Claro Ribeiro, a decisão vem pôr um ponto final «na angústia» da filha da vítima, como reporta a Lusa.

Delmira Claro, de 53 anos, foi encontrada sem vida na praia da Aguda, a 1 de abril de 2013, despida da cintura para baixo e sem documentos, sendo reconhecida dias depois pela filha no Instituto de Medicina Legal de Lisboa.

A professora, residente na Charneca da Caparica (Almada), sofreu ferimentos na cabeça, no tórax, nos braços e nas pernas, lesões que a defesa alegou resultarem de queda da arriba, mas sem a presença do arguido, que terá deixado a vítima sozinha na praia das Maçãs.