O homem que está acusado de ter matado em maio do ano passado a mulher numa clínica dentária da rua Augusta, em Lisboa, confessou esta terça-feira em tribunal a autoria do homicídio.

Marcos Camargo, de 40 anos, está acusado dos crimes de violência doméstica e de homicídio qualificado da mulher Luana Camargo, de 28 anos, com quem partilhava a gestão de uma clínica dentária em Lisboa.

O despacho de acusação do Ministério Público (MP) sustenta que o arguido, munido de uma faca de cozinha, se dirigiu à clinica dentária e «esfaqueou a mulher com golpes violentos no pescoço, tórax e braços», causando-lhe a morte.

A acusação sublinha que Marcos Camargo matou a mulher por não se conformar com a intenção dela de se divorciar dele, facto que o arguido admitiu hoje na primeira sessão do julgamento, mostrando arrependimento.

«Tinha a cabeça fora do sítio. Eu não a queria matar, mas aconteceu. Se fosse hoje tinha dado o divórcio. Foi um ato de loucura», afirmou o arguido ao coletivo de juízes.


Marcos Camargo admitiu igualmente que por diversas ocasiões discutiu e ameaçou a mulher, justificando os atos com o facto de ela querer o divórcio.

Depois de confessar os crimes pelos quais está acusado, Marcos Camargo pediu ao coletivo que não lhe perguntassem mais nada e que lhe dessem logo a sentença.

«Eu não matei um estranho. Matei uma pessoa que amava. Eu quero que isto acabe hoje», pediu.


Nas alegações finais, o magistrado do MP pediu uma condenação acima dos 18 anos e meio, aludindo à violência com que o arguido matou a vítima e à necessidade de se «dar um sinal à sociedade» de que é preciso condenar este tipo de crimes.

A pretensão do MP foi subscrita pelo advogado da família da vítima.

Por seu turno, a advogada de defesa, Eugénia Ferreira, afirmou que o crime perpetuado pelo arguido se deveu apenas a um «momento de loucura pontual»: «Estamos a falar de um homem que tentava construir algo da vida e que lutava por ela. O divórcio tornou o Marcos numa pessoa mais fria e desagradável. Foi como se lhe tivessem puxado o tapete», vincou.

No final da sessão, em declarações aos jornalistas, Eugénia Ferreira, disse que a pretensão do Ministério Público não é exagerada e que o seu cliente «já há muito estava preparado para uma pena desse tipo».

O advogado da família da vítima não quis prestar declarações aos jornalistas.

A leitura do acórdão está marcada para as 12:00 de quarta-feira no Campus da Justiça, em Lisboa.