Um homem confessou esta quarta-feira no Tribunal de Peniche a acusação de homicídio de um outro homem com um taco de basebol, em janeiro de 2013, naquela cidade.

Sobre o arguido, de 27 anos, recai a acusação do Ministério Público, segundo a qual, através de um intermediário, teria comprado droga à vítima, um homem de 55 anos, socorrista.

De acordo com a acusação, como o estupefaciente seria de má qualidade, pois havia suspeitas de que esse intermediário retiraria droga da dose vendida para o seu consumo, o agressor, que seguia de carro numa rua da cidade de Peniche e avistou a pé o fornecedor principal, abordou-o para «pedir uma justificação sobre os motivos pelos quais não lhe entregava diretamente a droga».

O arguido, pescador de profissão, terá também exigido de volta o dinheiro ou uma outra dose do produto estupefaciente.

Perante a insistência e as sucessivas recusas da vítima, o MP afirma que arguido foi buscar um taco de basebol que tinha no seu automóvel e atingiu-o no crânio, vindo a provocar-lhe a morte dias depois.

Confirmando os factos na primeira sessão do julgamento, o pescador explicou ao coletivo de juízes, presidido por Paulo Coelho, que «não tinha a intenção de matar, mas impor medo».

O arguido disse em tribunal que «não queria acertar-lhe na cabeça, mas estava cego, por estar a ressacar há um dia», por abstinência de heroína.

O arguido negou ainda autoria de murros e pontapés que, segundo o relatório de autópsia, terão sido a causa de outras lesões que a vítima tinha no corpo.

Depois de praticar o crime, confessou que se colocou em fuga no veículo, sem prestar socorro ao ofendido e levando consigo o taco de basebol, que manteve na viatura até ao dia 31 de janeiro, dia em que soube que a vítima tinha morrido. Foi então ao Cabo Carvoeiro, também em Peniche, e atirou o taco ao mar.

A 28 de janeiro de 2013, dia em que ocorreu o homicídio, o traficante, que caiu no chão, foi transportado para a urgência do hospital da cidade, de onde foi reencaminhado para o Hospital de Santa Maria, em Lisboa.

Três dias depois faleceu, em consequência do traumatismo craniano grave.

O arguido só veio a ser detido dias depois pela Polícia Judiciária, que de início tinha outros suspeitos, por terem sido vistos na noite do crime com a vítima.

Além da acusação por homicídio qualificado, o arguido incorre no pagamento de uma indemnização de 130 mil euros ao filho da vítima.

A próxima sessão do julgamento está agendada para 12 de fevereiro.

O julgamento tinha sido adiado por duas vezes, por o tribunal aguardar exames sobre a imputabilidade do arguido e as alegadas influências da abstinência da heroína no comportamento do arguido, requeridos pela defesa, como recorda a Lusa.