O Tribunal de Alenquer condenou esta quarta-feira a quatro anos de prisão, com pena suspensa, um homem que tentou matar, em abril de 2013, o presidente da associação para a qual trabalhava, porque ia ser despedido.

Na leitura do acórdão, o presidente do coletivo de juízes disse que o tribunal deu como provados quase todos os factos de que o vigilante do Campo de Tiro da Abrigada, de 56 anos, vinha acusado pelo Ministério Público (MP).

O tribunal provou que «o arguido tinha intenção de matar o ofendido em reação à eventual proposta de despedimento», afirmou o juiz Jorge Esteves, condenando-o à pena mínima de quatro anos de prisão, suspensa na sua execução, pelo crime de homicídio tentado.

Corroborando a acusação, o acórdão veio provar que, sabendo que iria ser despedido, o funcionário decidiu vingar-se do presidente da associação de caçadores daquela freguesia, tendo-lhe telefonado e marcado um encontro.

No local, o arguido apontou-lhe uma arma de fogo, dizendo-lhe «eu mato-te, ajoelha-te, mete as mãos para cima», ao que a vítima obedeceu.

O homem acabou por disparar dois tiros, que não atingiram o dirigente associativo, que acabou por fugir, esconder-se numa zona de mato e pedir auxílio.

O tribunal não provou a ameaça com uma faca, que o arguido «usava para as suas funções na associação».

O arguido foi absolvido dos crimes de detenção de arma proibida, por a caçadeira não ser sua, e de coação agravada, de que estava também acusado.

Após investigação, e na ausência de testemunhas e de detenção em flagrante delito, o trabalhador foi apontado como principal suspeito e presente a tribunal quase um mês depois, tendo ficado a aguardar julgamento em prisão preventiva.

A medida de coação foi alterada em novembro, para prisão domiciliária sob vigilância eletrónica, depois de o homem ter prestado novas declarações ao juiz de instrução criminal, recorda a Lusa.