O Tribunal de Ílhavo condenou esta quarta-feira a penas de 16 e 18 anos de prisão um casal de antigos namorados acusados do homicídio de um homem de 26 anos, ex-companheiro da mulher, decisão recebida com gritos em plena sala de audiência.

O coletivo de juízes deu como provado que os dois suspeitos, ambos de 24 anos, mataram Jorge Silva, atuando em comum acordo, contrariando a versão da arguida, que durante o julgamento negou ter desferido qualquer facada no ex-companheiro, reporta a Lusa.

A pena mais leve foi aplicada ao elemento masculino do casal que, segundo o tribunal, foi o que mais contribuiu para a descoberta da verdade, descrevendo os factos «de forma mais consistente e credível».

O tribunal considerou ainda «intenso» o grau de culpa da arguida, porque era ex-companheira da vítima, com quem tinha um filho em comum, não tendo, no entanto, ficado provado que tenha sido esta a planear o crime.

Assim, o Tribunal condenou o homem a 16 anos de prisão e a mulher a 18 anos de prisão pela coautoria de um crime de homicídio qualificado.

Os dois arguidos foram ainda condenados a pagar solidariamente 40 mil euros aos pais da vítima e 140 mil euros ao filho menor.

Os dois arguidos vão continuar em prisão preventiva a aguardar o trânsito em julgado da decisão.

Após a comunicação das penas aos arguidos, os pais e familiares da vítima não se contiveram e gritaram insistentemente «assassinos» e «a justiça é cega», face à decisão do tribunal.

Esta situação levou o coletivo de juízes a interromper a audiência e a chamar a GNR para assegurar a continuação dos trabalhos, que foram retomados pouco depois, já sem a presença dos familiares da vítima na sala de audiência.

O crime remonta à noite de 9 de outubro de 2012, quando o casal esfaqueou mortalmente o jovem, que se encontrava sozinho em casa, na Gafanha da Nazaré, em Ílhavo.

Segundo o despacho de acusação do Ministério Público, o homicídio foi planeado pelo menos com três semanas de antecedência.

Os ciúmes do arguido, que tinha um amor «obsessivo» pela namorada na altura, e os desentendimentos desta com o ex-companheiro por este não se conseguir impor aos pais, no sentido de manterem um relacionamento, terão estado na origem do crime.

Após o crime, os dois arguidos terão remexido a casa, para simular um assalto, e fugiram do local, enterrando a arma do crime numa mata situada na proximidade.