Um antigo doutorando da Universidade de Coimbra (UC) foi condenado, esta quinta-feira, a sete anos e sete meses de prisão em estabelecimento psiquiátrico pelo crime de homicídio simples na forma tentada de uma professora.

Ao ler a sentença, uma juíza do Tribunal de Coimbra disse que o arguido, um investigador irlandês de 37 anos, foi condenado pela prática desse crime, apesar de o Ministério Público o ter acusado da autoria de um homicídio qualificado na forma tentada.

Na formulação da pena, o tribunal atendeu ao facto de o arguido, ao qual foi diagnosticado uma forma de autismo, ser “portador de uma perturbação” que condiciona a autonomia do seu comportamento.

Julgado no Juízo Central Criminal do Tribunal de Coimbra, o homem era acusado de homicídio qualificado por ter tentado matar, com recurso a uma machada, uma professora do Departamento de Física da UC, em agosto de 2014.

O crime ocorreu no dia em que o investigador foi informado de que tinha uma dívida de mais de 5.000 euros à Universidade de Coimbra e de que o orientador tinha pedido renúncia no acompanhamento do seu doutoramento.

Na sentença, o tribunal valorizou “a forma como o arguido desferiu, com força, golpes de cima para baixo” que feriram a docente com gravidade, tendo concluído que o ex-investigador “teve intenção de matar” a ofendida.

A juíza frisou que o arguido, residente em Portugal desde 2008, tinha “obrigação de saber que a sua conduta era censurável”.

Apesar de ter sido considerado imputável, o tribunal não ignorou “que o arguido padece” da síndrome de Asperger, uma forma de autismo “que condiciona a sua atitude”, segundo a magistrada.

O relatório pericial considerou o antigo doutorando imputável, mas o psicólogo clínico Pedro Alves, que o acompanha desde outubro de 2017, atribuiu os comportamentos do arguido à síndrome de Asperger, que o faz não ter “consciência dos atos” que pratica.

O arguido foi igualmente condenado a pagar à ofendida 50 mil euros de indemnização pelos danos sofridos, além de ter de custear os tratamentos desta nos Hospitais da Universidade de Coimbra, na ordem dos 5.500 euros.

Durante o julgamento, o investigador irlandês afirmou que estava sem abrigo e com fome aquando do crime, frisando que a intenção não era matar, mas cortar um braço à professora, que considera responsável por não lhe ter sido atribuída bolsa.