O Algarve vai ter a primeira casa para homens vítimas de violência doméstica do país, com dez vagas e que começa a funcionar na próxima sexta-feira. 

"É um projeto piloto da primeira casa abrigo para homens vítimas de violência doméstica com 10 lugares, com acompanhamento jurídico, psicológico, enquadramento de apoio social", disse o ministro-adjunto, Eduardo Cabrita, que hoje esteve em Faro, na cerimónia de assinatura da carta de compromisso entre a Fundação António Silva Leal e o Governo.

De acordo com Eduardo Cabrita, segundo o último relatório anual de segurança interna, 15% dos casos reportados de violência doméstica têm por vítimas homens, que estão em "situação de fragilidade, desestruturação pessoal ou familiar", o que representa "alguns milhares de pessoas", a nível nacional e "centenas", no Algarve.

"Faro é o terceiro distrito a nível nacional com maior número de casos reportados", após os distritos de Lisboa e Porto, referiu o governante, sublinhando que a nova casa abrigo pode acolher homens de todas as zonas do país, até porque nos casos de violência doméstica uma dos procedimentos é que o acolhimento seja feito fora da zona de residência.

Portugal dispõe, atualmente, de uma rede de 40 casas abrigo, com capacidade total para acolher 800 mulheres vítimas de violência doméstica, acrescentou.

De acordo com Carlos Andrade, presidente da Fundação António Silva Leal, o que é inovador neste projeto é, justamente, o facto de a casa abrigo se dirigir aos homens, porque a forma de acolher "é exatamente a mesma" do que já se faz com as mulheres.

"Após acolhimento, apoiamos do ponto de vista psicológico, social, do ponto de vista da saúde e ajudamos num projeto de vida, que é exatamente o que fazemos com as mulheres", referiu.

De acordo com aquele responsável, a experiência de 13 anos da fundação que dirige, permitiu-lhe contactar com casos de homens que são vítimas de violência doméstica, o que levou à ideia da criação de uma casa abrigo.

"Nós conhecemos casos em que as pessoas, homens, ficaram em grande angústia e grande sofrimento e que, tal como as mulheres, sentem-se aprisionados num processo em que precisam de criar condições para sair", sublinhou.

Na cerimónia, realizada no salão do antigo Governo Civil de Faro, esteve também presente a secretária de Estado para a Cidadania e a Igualdade, Catarina Marcelino.