Mais transplantes de rim do que os novos casos de doentes que de tal necessitam, vai “contribuindo progressivamente” para a diminuição das listas de espera. Ana França, coordenadora nacional da transplantação, mostra-se assim satisfeita com os resultados que vão sendo alcançados.

Em visita ao Centro Hepato-Bilio-Pancreático e de Transplantação, do Hospital Curry Cabral, em Lisboa, onde acompanhou o secretário de Estado da Saúde, Manuel Delgado, a coordenadora realçou que em relação ao transplante renal, estamos a melhorar”.

Estamos a ter mais transplante dos que os novos doentes que entram em lista de espera, o que vai contribuindo progressivamente para a sua diminuição”, frisou Ana França.

Este ano já foram realizados em Portugal, 278 transplantes renais, 155 transplantes hepáticos, 16 transplantes de pâncreas, nove de pulmão e 20 de coração.

No final de dezembro, havia 158 doentes à espera de um transplante de fígado, tendo sido realizados 155 nos primeiros seis meses do ano.

Quer dizer que a resposta está dada em relação à lista de espera que havia”, sublinhou Ana França, ouvida pela Agência LUSA, acrescentando que também a resposta à transplantação hepática “é perfeitamente adequada às necessidades”.

Colheita de órgãos vai melhorando

Relativamente ao número de dadores de órgãos, Ana França disse que foram 189, no primeiro semestre, mais 17% face ao período homólogo do ano passado.

Em termos de colheita de órgãos, temos mais 14%”, referiu a coordenadora, salientando que foram transplantados 478 órgãos, mais 22%.

O coordenador do centro de transplantação do Hospital Curry Cabral, Américo Martins, adiantou à Agência LUSA que foram realizados 90 transplantes no hospital este ano, quando nos anos anteriores eram, em média, 60.

Estamos a fazer 120, a 130 transplantes anualmente nos últimos quatro anos”, disse o médico, tendo sido determinante para obter esses resultados, o “aumento significativo dos dadores” de fígado, um órgão que “não tem idade”.

O fígado pode durar 120 a 130 anos, o corpo da pessoa é que não vive”, disse, explicando que uma pessoa de 90 anos, se tiver o fígado a funcionar bem, pode ser dador”., salientou Américo Martins.

As listas de espera também diminuíram: enquanto há três ou quatro anos tínhamos 120, 130 pessoas em lista de espera, agora temos cerca de 40 a 50, disse o médico

Para o secretário de Estado da Saúde, os resultados alcançados são surpreendentes.

Nos últimos quatro anos houve uma diminuição sensível dos transplantes em todas as áreas, mas este ano, até com nossa surpresa, porque não se esperaria um desenvolvimento tão robusto da transplantação em Portugal, nós temos resultados espantosos”, afirmou Manuel Delgado.

Como razões para estes resultados, Manuel Delgado apontou “a qualidade da recolha de órgãos” e o trabalho feito pelo Instituto Português do Sangue e da Transplantação.

Erradicar hepatite C "é um esforço brutal"

O secretário da Saúde destacou ainda os resultados obtidos com o novo tratamento para a hepatite C, uma das causas da cirrose de fígado que leva à necessidade de um transplante.

Segundo Manuel Delgado, o custo do tratamento é elevado para o Estado, (entre 40 a 100 mil euros por doente tratado), mas “os resultados têm sido muito positivos”, com um nível de cura na ordem dos 95,97% dos casos.

Temos cerca de 7.000 doentes que iniciaram a nova terapêutica, dos quais 3.000 ficaram curados. Apenas 122 não tiveram cura e mantêm outro tipo de terapêuticas”, sustentou.

É um esforço brutal”, mas o objetivo é “erradicar a hepatite C em Portugal”, rematou.