O Ministério da Saúde e o laboratório farmacêutico Gilead c hegaram a acordo para o fornecimento de um tratamento inovador para a hepatite C, segundo apurou a TVI na quinta-feira. 

Entrevistada pelo «Diário da Manhã», esta sexta-feira, Emília Rodrigues, da Associação SOS, não esconde a felicidade e só espera que mais nenhum doente morra por falta do medicamento. 

«Hoje temos uma boa notícia», mas agora é preciso agir: «Os de fim de linha são os mais urgentes. Calcula-se - através das autorizações especiais - estavam pedidos 157, foram tratados 55 a 60… O resto não sabemos onde andam as autorizações especiais. Por tanto, mais ou menos 100. Mas, sabemos que, na realidade, são mais do que isso. Serão uns mil, mil e quinhentos a necessitar com urgência».

O acesso ao tratamento «é a diferença entre a vida e a morte» e «desta vez que quero acreditar que o senhor ministro não nos vai deixar morrer», diz Emília Rodrigues que, pragmaticamente, chama a atenção que não basta o acordo entre o ministério e a farmacêutica.

A  TVI sabe que o preço estará muito próximo do que está estabelecido em Espanha, que é 25 mil euros. 

E a questão prática que se coloca é: «Como é que é possível os hospitais darem o tratamento? Os hospitais não têm dinheiro», logo, «deixa um apelo ao senhor ministro que seja criado imediatamente, com a maior urgência, uma linha de financiamento completamente independente do Orçamento do Estado».


Mais: «Espero que a linha de financiamento já esteja a ser projetada», refere, porque há muitos doentes numa situação limite. «Temos doentes na mesma situação que o José Carlos que necessitam do medicamento senão morrem».

Doente que falou no Parlamento vai receber o medicamento (Clique na foto para ver o vídeo)



«O José Carlos Saldanha deu a cara, como o David, o filho da Maria Manuela, deu à mãe um rosto e um nome», mas «desde 2011 já devo ter perdido mais de 100 pessoas. São os meus mortos sem rosto».

A hepatite C «tem cura». O acesso ao medicamento «é a diferença entre a vida e a morte. (…)Desta vez que quero acreditar que o senhor ministro não nos vai deixar morrer», conclui.