A Heliportugal, empresa que assegura a manutenção dos meios aéreos públicos de combate a incêndios florestais, responsabilizou hoje a EMA por dois helicópteros Kamov não estarem operacionais, desde o início da época de fogos.

Em comunicado, a Heliportugal avança que um dos seis helicópteros pesados que compõem a frota da Empresa de Meios Aéreos (EMA) foi entregue no domingo, dois meses antes do prazo estipulado, mas outro aparelho encontra-se inativo desde o acidente de setembro de 2012, porque a EMA não aprovou o orçamento para a reparação.

Num esclarecimento enviado à agência Lusa, a EMA, por seu lado, diz que o Kamov que hoje entrou ao serviço «padecia de várias avarias, entre elas uma reparação ao mastro, de responsabilidade da Heliportugal, e cuja aceitação por parte do INAC [Instituto Nacional de Aviação Civil], só se verificou no passado dia 5 de agosto».

«Daí que a entrega [do helicóptero] à EMA, como pronto para o serviço, só se tenha verificado no passado dia 11 de agosto», prossegue a Empresa de Meios Aéreos, esclarecendo que não tem atualmente qualquer dívida com a Heliportugal.

Segundo a EMA, o outro helicóptero Kamov acidentado está em vias de registar uma avaliação, esperando-se a chegada dos técnicos, ainda este mês, com vista à elaboração do orçamento da sua reparação.

A EMA adianta ainda que, em função do valor orçamentado, «se decidirá do futuro dessa aeronave».

O Conselho de Ministros, entretanto, autorizou, a 1 de agosto, a despesa com a locação de um helicóptero pesado para combate aos incêndios florestais, para substituir o Kamov acidentado.

Na altura, o ministro da Presidência, Marques Guedes, afirmou tratar-se de «uma medida cautelar, para manter o efetivo global conforme estava planeado».

No comunicado que hoje divulgou, a Heliportugal indica que o Kamov, parado desde dezembro de 2012 para reparação das pás, foi entregue no domingo, «conseguindo uma antecipação de dois meses do prazo estipulado contratualmente» e «ainda em tempo útil para a época de incêndios».

«O orçamento para a reparação da aeronave ¿ que, por opção da EMA, não estava coberta por nenhum seguro ¿ foi enviado pela Heliportugal em dezembro de 2012, com um prazo de entrega de 150 dias após a adjudicação, o que permitiria à aeronave estar operacional em maio de 2013, antes do início da fase Charlie. Mas o orçamento só foi aprovado pela EMA em 09 de maio passado, adiando a sua entrega prevista para outubro, já após o período crítico dos incêndios», explica a empresa.

O presidente da Heliportugal, Pedro Silveira, destaca, no comunicado, o esforço da empresa na antecipação da entregue, tendo em conta que «a dívida vencida da EMA para com a Heliportugal ultrapassa neste momento os cinco milhões de euros».

O outro Kamov, que sofreu um acidente no combate a um incêndio no ano passado, continua no chão à espera de ser reparado, tendo a Heliportugal apresentado à EMA um orçamento de 83 mil euros, que ainda não foi aprovado, adianta a empresa que faz a manutenção das aeronaves do Estado.