Um homem morreu no sábado na ilha de São Jorge, nos Açores, enquanto esperava por meios da Força Aérea para ser transferido para o hospital de Ponta Delgada, disseram hoje à Lusa autoridades locais.

O homem ficou «gravemente ferido» depois de ter sido colhido por um touro durante uma tourada à corda, tendo recebido assistência na Unidade de Saúde de Ilha de São Jorge, que, mais tarde, dado o agravamento do quadro clínico, pediu meios para uma transferência urgente para o hospital de Ponta Delgada, segundo as mesmas fontes.

No entanto, o helicóptero militar usado para estas situações não estava disponível, por estar a ser usado noutra operação, na Madeira, e foi então tentada outra solução, o envio de um avião C295, mas a Força Aérea alegou que o aeroporto de São Jorge «não é certificado».

Sempre segundo as mesmas fontes, a Força Aérea disponibilizou-se para ir buscar o homem à ilha do Pico, a mais próxima, por o aeroporto ter outra certificação. As autoridades ainda desviaram o percurso de um dos barcos que ligam as ilhas do grupo central dos Açores para fazer a transferência do doente de São Jorge para o Pico, mas o homem acabou por morrer antes de embarcar.

As autoridades locais que prestaram estas informações à Lusa garantiram que tudo foi feito para transferir o doente para o hospital.

A Lusa questionou a Força Aérea sobre esta situação, mas não obteve resposta até ao momento.

Segundo um comunicado divulgado hoje pela Marinha, no sábado à tarde, em articulação com a Força Aérea, houve uma operação de resgate de um pescador que seguia num barco a cerca de 577 quilómetros a sudeste da ilha de Santa Maria, que estava com problemas de saúde. O homem foi retirado do barco com a ajuda de um helicóptero do Centro de Busca e Salvamento Aéreo das Lajes, tendo o pescador sido levado para o hospital do Funchal.

Nos Açores, apenas três das nove ilhas do arquipélago têm hospital. Em caso de urgência, é a Força Aérea, que tem uma base nas Lajes, na ilha Terceira, que garante a transferência dos doentes.

Em 2013, foram realizadas nos Açores, pela Força Aérea, 156 missões de evacuação inter-ilhas e transportados 176 doentes. Houve ainda um nascimento a bordo, três evacuações para o continente, 13 resgates de doentes que estavam em navios e 10 missões de busca e salvamento, tendo sido recuperados 31 náufragos, num total de 472 horas de voos.