A Câmara da Amadora retomou, esta terça-feira, as demolições de habitações degradadas no Bairro de Santa Filomena, incluindo as casas de famílias que não têm direito a realojamento.

“Começou hoje três dias de destruição” de habitações autoconstruídas em Santa Filomena, sendo que “nenhum dos moradores foi formalmente notificado da intenção da câmara”, afirmou o Habita – Coletivo pelo Direito à Habitação e à Cidade, citado pela Lusa.

A associação acrescenta ainda que “hoje já foram desalojados vários moradores do bairro sem nenhuma solução que não ficarem na rua”, estimando que e venham a ser “destruídas 30 habitações”.

A Câmara da Amadora confirmou que “está a proceder a demolições no Bairro de Santa Filomena, dando continuidade à erradicação deste núcleo degradado e cumprindo o Programa Especial de Realojamento (PER)”. No entanto, não foi avançado o número de habitações a demolir.

O Habita acusa a autarquia de ignorar os apelos do provedor de Justiça em relação à interrupção das demolições, devido às dificuldades económicas das famílias.

No entanto, a Câmara da Amadora assegura que “todas as demolições são precedidas de meses de trabalhos com as famílias”, sendo que nas demolições em curso, “foram esgotados todos os apoios possíveis por recusa das próprias famílias, que não aceitaram qualquer tipo de apoio de nenhuma das instituições envolvidas nos atendimentos integrados”.

De acordo com o levantamento do PER, efetuado em 1993, no Bairro de Santa Filomena existiam 583 agregados familiares, em 442 habitações precárias, o que perfaz um total de 1945 residentes.

A autarquia garante que atualmente já foram realojadas 327 famílias, faltando resolver a situação habitacional de 18 agregados inscritos no PER.

O Habita anunciou ainda uma concentração dos desalojados para esta tarde, no Largo do Rato, em Lisboa.