A portuguesa Diana Vasconcelos está a angariar dinheiro para reconstruir uma escola no bairro de lata de Mathare, no Quénia, que vai receber 78 raparigas da Angel Girls for Educational and Rehabilitation Center.

Já arrecadei mais de três mil dólares (através da Internet) e pretendo chegar aos 20 mil para poder reconstruir esta escola que não tem condições, nesse momento, para abrigar as crianças”, disse à Lusa Diana Vasconcelos, responsável pelo projeto “Há Ir e Voltar”.

Em 2014, Diana Vasconcelos partiu para o Quénia para fazer trabalho voluntário durante um ano numa organização queniana e, paralelamente, começou a ajudar as pessoas e a planear a construção de uma escola em Kibera, o maior bairro de lata de África, que fica nos subúrbios de Nairobi, capital do Quénia.

Através da iniciativa que desenvolveu - ‘Há Ir e Voltar’ - a escola foi finalizada em 2015 e está a atender 75 crianças em Kibera.

Apesar dos percalços que passou, já que foi afastada da escola que construiu em Kibera por motivos alheios à sua vontade, não desistiu de levar avante os seus projetos para melhorar a vida das pessoas menos favorecidas de Nairobi.

Agora, Diana Vasconcelos - que tem 28 anos e é natural de Amarante - pretende deitar abaixo a escola utilizada pela Angel Girls em Mathare e reconstruí-la, sublinhando que pretende ainda realizar outras iniciativas para angariar fundos e ajuda.

Queremos começar as obras dentro de um mês, mais ou menos, de acordo com a arrecadação dos fundos. Ir construindo aos poucos, também contando com o auxílio dos pais das crianças”, sublinhou, acrescentando que a arrecadação de fundos começou na semana passada.

“Não há palavras, nem fotografias que consigam algum dia fazer uma representação fiel do que aqui se vive. Mas também não há palavras que consigam reproduzir a alegria e a esperança que se vê nas caras de 78 meninas da Angel Girls, uma escola perdida no meio da favela de Mathare, também nos arredores de Nairobi".

De acordo com a portuguesa, “as casas de banho são uma vala que corre horizontalmente em todo o comprimento da escola e é aqui que se brinca também. As sestas fazem-se no chão debaixo das secretárias de madeira, junto aos pés das outras meninas que entretanto estão a ter aulas”.

Diana recordou que escola da Angel Girls for Educational and Rehabilitation Center, organização que existe há mais de 10 anos, é mais voltada para as raparigas devido ao facto de estas terem menores oportunidades de frequentarem uma escola, visto que a prioridade é dada aos rapazes.

A portuguesa - cujo projeto pode ser acompanhado no seu blogue - está a arrecadar fundos para a reconstrução da escola através da página do Facebook e da página.

A responsável pela iniciativa disse que a ‘Há Ir e Voltar’ ainda não é uma organização oficial, mas que já tem pessoas próximas que estão a tratar disso em Portugal.

Além da escola em Kibera, a iniciativa de Diana Vasconcelos "já apadrinhou mais de 200 crianças e criou micro-negócios para os pais delas” através da ‘Há Ir e Voltar’.

Diana Vasconcelos, que neste momento está a morar em Nairobi, sublinhou a importante ajuda de muitos portugueses, tanto no Quénia como em Portugal, na execução dos seus projetos.