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Gulbenkian disposta a «contribuir muito na área social»

Afirmação foi do novo presidente da fundação

Por: tvi24    |   2012-05-03 21:55

O novo presidente da Fundação Calouste Gulbenkian, Artur Santos Silva, afirmou hoje, em Lisboa, que a instituição «tem de contribuir muito na área social», em Portugal, face à difícil crise que o país atravessa.

Segundo a Lusa, Artur Santos Silva falava aos jornalistas na sede da Fundação Gulbenkian, no final da cerimónia de início de mandato, sucedendo a Emílio Rui Vilar, que a dirigiu nos últimos dez anos.

«Temos de contribuir muito na área social, porque é aí que as questões do nosso tempo estão a provocar as feridas e fraturas mais complexas», avaliou Santos Silva, sobre os principais desafios da Gulbenkian para o futuro.

Ainda sobre os próximos cinco anos de mandato que assumiu hoje, o novo presidente da Gulbenkian, de 70 anos, defendeu que a instituição «tudo deve fazer para enfrentar desafios muito complexos» da atualidade.

«Sobretudo procurar um caminho que valorize os portugueses, valorize o mundo com a nossa contribuição», salientou. Defendeu, nesse sentido, «mais conhecimento, mais tempo para pensar».

Para Artur Santos Silva, a Gulbenkian deve «ajudar a descobrir o novo paradigma da sociedade do nosso tempo, que está a enfrentar uma crise muito difícil».

Relativamente ao presidente cessante, comentou que Rui Vilar «tem um conhecimento profundíssimo da instituição e dos problemas do nosso tempo e, com o capital que ele tem, vai ajudar muito no trabalho a fazer» na Gulbenkian.

Na primeira reunião do Conselho de Administração presidida por Artur Santos Silva, hoje realizada antes da cerimónia, Rui Vilar foi, por unanimidade, cooptado como administrador não executivo da Fundação.

Questionado pelos jornalistas sobre se a crise atual afetou a situação financeira da Gulbenkian, Santos Silva indicou que a Fundação tem um património de mais de 1,6 mil milhões de euros, investido nos mercados financeiros.

«Se os mercados tiverem más performances, a rendibilidade é menor, mas como a Gulbenkian investe a longo prazo, de uma forma não oportunística... Mas não deixa de estar condicionada quando há uma situação de grande volatilidade dos mercados», avaliou.

Por outro lado, salientou que a Gulbenkian também tem «um importante património no petróleo e no gás que tem equilibrado» a instabilidade dos mercados financeiros.

Sobre a permanência na presidência do BPI, Artur Santos Silva disse que - «devido ao período difícil para o sistema financeiro e para o país» - essa tinha uma condição essencial na aceitação do convite para dirigir a Gulbenkian.

Na cerimónia com funcionários e convidados que tinha terminado cerca das 18:00, Santos Silva, no seu discurso de início de mandato, tinha defendido mais influência dos administradores não executivos na agenda da Gulbenkian.

«Isso implica evitar que a sua ação se limite aos seus pelouros e responsabilidades específicas», advogou, falando perante a restante administração, dezenas de funcionários e convidados para a sessão, como Leonor Beleza, Vasco Graça Moura, António Correia de Campos e Fernando Ulrich, entre outros, vindos de vários setores da sociedade, como a saúde, cultura, justiça, banca e ciência.

Santos Silva também defendeu a criação de novos públicos - «com atenção especial para as gerações mais jovens» ¿ para as atividades da Fundação, criada em 1956, em Portugal, pelo mecenas arménio que lhe deu o nome, Calouste Sarkis Gulbenkian.

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