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Última homenagem a pára-quedistas caídos na Guiné

Veteranos da Companhia 121 regressaram à Escola de Tancos

Por: Redacção / Carlos Santos Pereira, para a Agência Lusa  |  26- 7- 2008  17: 53

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Homenagem a militares mortos em combate

Antigos pára-quedistas da Companhia 121, veteranos da guerra colonial, regressaram este sábado à Escola de Tancos para uma homenagem sentida a três camaradas de armas que morreram em Guidage, Norte da Guiné-Bissau, e cujos restos mortais regressaram agora a Portugal.

Uma parada em silêncio escutou as primeiras palavras do general Hugo Borges, que enquanto comandante de pelotão - na altura um jovem tenente - esteve na emboscada que custou a vida aos três soldados pára-quedistas junto a Guidage, Norte da Guiné, no dia 23 de Maio de 1973.

«A bolanha abre-se, despida, enorme sem abrigo. Os páras conhecem o perigo, mas Guidage espera cercada. Avançam, chega a emboscada. Chovem morteiradas e canhoadas, RPGs cruzam os ares, dantesco fogo de artifício...», recorda o general. Os militares José Lourenço, António Vitoriano e Manuel Peixoto iam na primeira linha e foram os primeiros a cair, lembra.

As urnas com os restos dos três soldados estão alinhadas junto ao Monumento Aos Mortos em Combate que domina a parada da Escola de Tropas Pára-quedistas de Tancos. Sobre as urnas, cobertas com a bandeira portuguesa, a simbólica boina verde e o brevet dos pára-quedistas.

Vinte e três de Maio. A data da emboscada coincide com o dia dos pára-quedistas, assumindo assim uma dimensão simbólica.

«Ninguém fica para trás», manda o lema dos pára-quedistas. Na altura as circunstâncias da guerra na Guiné impediram a evacuação dos corpos dos três soldados. Trinta e cinco anos depois, os restos dos três militares foram finalmente resgatados do cemitério improvisado em que os seus restos ficaram depositados, a pouca distância do local em que tombaram em combate.

Um silêncio comovido percorre a parada. Antigos pára-quedistas, camaradas de armas dos três soldados caídos em Guidage, responderam à chamada e regressaram à Escola onde se fizeram soldados para um último adeus aos três camaradas caídos em combate. A emoção vinca muitos rostos recolhidos.

Então um jovem tenente, o general Hugo Borges recorda a emboscada de Guidage. «O primeiro soldado caiu à minha frente», diz, antes de a emoção lhe embargar momentaneamente a voz. O rosto contraído trai uma lágrima reprimida.

«Soldado não morre, voa mais alto»

Ouve-se o toque de silêncio. Segue-se um minuto de recolhimento. Depois, o Toque aos Mortos. Finalmente, Toque de Alvorada, símbolo de esperança, grito daqueles «em quem poder não teve a morte».

«A memória da morte perdura muito tempo, mas é como que um assunto que fica arrumado, uma gaveta que se fecha. Fica um certo sentimento de paz», diz Conceição Vitoriano, irmã do soldado Vitoriano, e que participou na missão de identificação dos restos dos três militares no cemitério de Guidage.

«Sabe, ao longo deste tempo aprendi muita coisa. Dizem os pára-quedistas que o soldado não morre, voa mais alto. Hoje, acredito que sim. O meu irmão não morreu. Hoje, voou mais alto», afirma.

As urnas com os restos dos três soldados abandonam a parada a caminho da sua morada definitiva. «Missão cumprida», assegura o General Borges.

Assim rematou o general as memórias da emboscada e os esforços, em que teve empenhado pessoalmente, para resgatar os restos dos três soldados que desde 23 de Maio de 1973 estavam enterrados junto ao arame farpado do antigo aquartelamento de Guidage.

Os restos dos soldados José Lourenço, António Vitoriano e Manuel Peixoto respectivamente Cádima (Cantanhede), Castro Verde e Gião (Vila do Conde) regressam hoje às terras que os viram nascer.

A romagem às memórias de Guidage, no entanto, vai prosseguir ainda amanhã.

O último domingo de Julho de cada ano é, de acordo com a tradição, dia de concentração dos pára-quedistas no santuário de Fátima.

Quando neste domingo milhares de pára-quedistas se reunirem uma vez mais em Fátima, os caídos em Guidage estarão presente em todas as memórias.

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