O bebé que morreu ainda dentro da barriga da mãe, às 37 semanas de gestação, chegou ainda vivo ao Hospital da Guarda. É o que conclui o registo cardíaco que Cláudia Costa, de 39 anos, fez no dia em que perdeu o bebé, adianta o Jornal de Notícias. A prova já está na posse do Ministério Público.

A investigação judicial arrancou logo na altura, em fevereiro, com o conselho de administração da Unidade Local de Saúde a informar o Ministério Público que não encontrou o registo.

Porém, estava a referir-se ao registo feito na véspera de perder o bebé, uma menina. No próprio dia fez outro que, diz o mesmo diário, foi monitorizado pela diretora do serviço de obstetrícia e consta na caderneta pessoal da mulher.

O Ministério Público está a aguardar, agora, o relatório final da autópsia ao feto mas também deverá pedir um parecer médico ao Instituto de Medicina Legal.

O mesmo jornal falou com um casal que assistiu a tudo, nas urgências, e que deverá também ser ouvido pelo Ministério Público. Esta grávida, Nikky Santos, de 26 anos, disse que "por incrível que pareça", foi "atendida primeiro quando havia ali uma urgência" e ela ia ter apenas uma "simples consulta de internamento".

Cláudia Costa terá sofrido um descolamento da placenta. De acordo com a sua família, esteve uma hora e meia à espera para ser vista por um médico obstetra, apesar das perdas de sangue, na Unidade de Saúde Local da Guarda.

A equipa de enfermagem terá percebido que o bebé estava para nascer e terá chamado o médico que estava no hospital. Mas o obstetra, um médico reformado de Santarém, não terá comparecido. Só mais tarde, quando já nada havia a fazer.