Os trabalhadores dos Correios de Portugal (CTT) contaram, esta sexta-feira, com o apoio das centrais sindicais e do líder parlamentar do Bloco de Esquerda no arranque da greve de 24 horas contra a privatização da empresa de serviço postal.

«Estamos aqui a mostrar apoio e solidariedade com a luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores, que só por si é nobre», afirmou à agência Lusa Pedro Filipe Soares, deputado do Bloco, realçando que, no caso dos CTT, trata-se também da «defesa do serviço público».

O grupo parlamentar que representa apresentou, na quinta-feira, na Assembleia da República um projeto de resolução contra a privatização dos CTT mas, questionado sobre se acredita ser possível travar a dispersão do capital em bolsa da companhia, prevista para dezembro, Pedro Filipe Soares assinalou que «o Governo está muito determinado em privatizar».

Ainda assim, «até estar concluído o processo de venda, ainda pode ser evitado», acrescentou. Na lei que determina a privatização, consta uma cláusula que permite reverter o processo em caso de defesa do interesse nacional.

Pelo Sindicato Nacional de Trabalhadores dos Correios e Comunicações (SNTCC), o secretário-geral, Vítor Narciso, destacou que esta é uma luta que já dura há mais de um ano, assegurando que, depois da greve de hoje, outras iniciativas se seguirão.

«Vamos voltar à luta já no mês que vem. Contra o prejuízo para a economia nacional. O futuro dono dos CTT pode fazer como o Pingo Doce e a Sonae e põe a sede fora de Portugal para pagar menos impostos», disse à Lusa o dirigente do sindicato afeto à CGTP.

Já a outra central sindical, a UGT, através de Sérgio Monte, considerou uma «incongruência» privatizar os correios, porque «é uma empresa que dá lucro de 50 milhões de euros por ano, pelo que, face ao encaixe previsto com a venda, que é de 600 milhões de euros, em 12 anos essa verba é alcançada».

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, marcou também presença junto do piquete de greve dos trabalhadores dos CTT, elogiando a «coragem» desta iniciativa e considerando que marca o arranque de um período de luta a nível nacional.

«Esta greve dos CTT [Correios de Portugal] é um bom começo para todas as outras lutas que vão ter lugar nos próximos dias», afirmou à agência Lusa o líder sindical, marcando o início da paralisação às 0:00, e destacou a «coragem e a determinação» dos trabalhadores dos CTT que, realçou, «não estão só a olhar por si mesmos».

Segundo Arménio Carlos, «esta é uma greve que se justifica», e defendeu esta consideração com três argumentos principais: «A defesa dos direitos dos trabalhadores, a mobilização contra a privatização de um serviço fundamental, e a defesa da economia portuguesa».