O presidente do Infarmed alertou esta segunda-feira para o risco de as vacinas que entraram ilegalmente no país serem falsificadas e adiantou que chegaram a ser vendidas e administradas a utentes, tendo sido pedida a comparticipação do Estado.

Em declarações à Lusa, Eurico Castro Alves disse estar em causa a «eventual entrada de medicamentos falsificados e de origem desconhecida» no mercado português, uma situação que classifica de «gravíssima porque põe em causa a segurança das pessoas».

«Há indicadores inegáveis da entrada ilegal [das vacinas] no país», agora é preciso descobrir se há mais, quais os circuitos que seguem, quem as fabrica, se são falsificadas, disse, sublinhando ter sido, por isso, lançada de imediato uma «operação à escala nacional para garantir que tal não acontece».

Para o presidente do Infarmed, é «inaceitável» que num país desenvolvido existam medicamentos falsificados ou de origem desconhecida a circular no mercado.

Sobre os riscos para a saúde pública, explica que podem ser diversos e de diferente ordem: pode haver risco associado ao transporte das vacinas sem condições de segurança (nomeadamente sem a necessária refrigeração) ou, no caso de serem medicamentos falsificados, associado à ingestão de substâncias indevidamente existentes nesses medicamentos, como detergente ou carvão.

No caso concreto destas vacinas que entraram ilegalmente no país, Eurico Castro Alves adiantou que foram detetadas numa farmácia de Aljezur, durante uma «mera operação de rotina» do Infarmed.

O responsável adiantou que a farmácia em causa chegou a vender e a administrar a utentes algumas destas vacinas de origem desconhecida e «ainda pediu a comparticipação do Estado».

Neste momento, o Infarmed está a averiguar quem foram e onde estão as pessoas que tomaram essas vacinas, acrescentou.

O caso foi detetado no final da semana passada, durante as inspeções diárias do Infarmed, e não integrada na operação «Consulta Vicentina», da Polícia Judiciária, como tinha sido avançado.