Várias dezenas de médicos concentraram-se em frente ao Ministério da Saúde, em protesto contra as políticas de saúde, que levaram a Federação Nacional de Médicos (FNAM) a convocar uma greve de dois dias.

FNAM estima adesão de 90% à greve

A maioria dos profissionais apresentou-se no protesto trajando batas brancas e são visíveis balões amarelos com as letras SNS, bem como cartazes com frases inscritas alusivas às principais reivindicações e motivos da greve.

«Não à lei da rolha», «internatos de qualidade», «pela defesa das carreiras», «pela defesa da contratação coletiva» e «fim do comissariado politico nas nomeações para cargos de direção» são algumas das frases que se podem ler nos cartazes.

A entrada do Ministério da Saúde encontrava-se pelas 15:45 protegida por cerca de uma dezena de polícias.

Esta terça-feira é o primeiro de dois dias de greve de médicos, a segunda que o ministro Paulo Macedo enfrenta em dois anos.

A publicação do código de conduta ética, a que os médicos chamam «lei da rolha», a reforma hospitalar, o encerramento e desmantelamento de serviços, a falta de profissionais e de materiais e a atribuição de competências aos médicos para as quais não estão habilitados são os principais motivos na base da convocação desta greve.

O protesto, que começou às 00:00 de hoje e decorre até às 24:00 de quarta-feira, foi convocado pela Federação Nacional dos Médicos (FNAM) e conta com o apoio da Ordem, de várias associações do setor e também de pensionistas e doentes.

Ministério da Saúde não entra em «guerras de números»

O Ministério da Saúde diz que não vai entrar em «guerras de números» e dar informações sobre a adesão à greve dos médicos.

Em comunicado, o ministério de Paulo Macedo rejeita, no entanto, as estimativas avançadas pela FNAM, que considera «à partida, uma impossibilidade aritmética», lembrando que pelo menos 20 mil dos 46 mil médicos registados em Portugal não aderiram à greve por trabalharem fora do Serviço Nacional de Saúde e mesmo alguns dos grevistas que trabalham simultaneamente no SNS e no privado só paralisam no serviço público.

Segundo o Ministério da Saúde, isso faz com que a greve atinja «os cidadãos mais desfavorecidos, que não têm alternativa ao SNS», nem através de recursos próprios nem de seguros de saúde.